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    Os youtubers são o futuro do cinema?

    Obsession estreou nos cinemas brasileiros no final de maio. Uma semana depois, foi a vez de Backrooms. E apesar de diferentes, os dois filmes compartilham um fator comum: foram dirigidos por jovens criadores que construíram suas carreiras no YouTube.

    Os youtubers são o futuro do cinema?

    Obsession estreou nos cinemas brasileiros no final de maio. Uma semana depois, foi a vez de Backrooms. E apesar de diferentes, os dois filmes compartilham um fator comum: foram dirigidos por jovens criadores que construíram suas carreiras no YouTube.

    POR Laura Budin

    Quando Backrooms e Obsession chegaram ao topo das bilheterias americanas nas últimas semanas, muita gente em Hollywood passou a fazer a mesma pergunta: os youtubers são o futuro do cinema? A dúvida não surgiu apenas porque os dois filmes foram dirigidos por criadores que começaram publicando vídeos na internet, mas porque eles conseguiram algo cada vez mais raro na indústria atual: transformar ideias originais e de baixo orçamento em sucessos globais.

    O YouTube te força a adotar certos padrões de comportamento que são vantajosos para manter o contato com sua audiência. Eu não consigo ficar muito tempo sem entregar algo novo para o meu público. Sinto como se tivesse um compromisso com eles.
    KANE PARSONS PARA ADWEEK

    Juntos, os dois títulos superaram produções de franquias estabelecidas e mostraram que existe um público disposto a sair de casa e ir a uma sala de cinema.

    O filme é apenas um episódio da série do YouTube. Ele é cem por cento coerente com o que veio antes. De certa forma, eu estabeleci um compromisso com a audiência e gosto de fazer tudo o que posso para honrar esse compromisso, independentemente da plataforma ou do formato em que a história esteja sendo contada.
    KANE PARSONS PARA VANITY FAIR

    Aos 20 anos, Kane Parsons transformou sua série de terror analógico Found Footage, publicada em seu canal no YouTube, em Backrooms, longa da A24 que já arrecadou mais de US$ 100 milhões em poucos dias após a estreia. Já Curry Barker viu seu filme Obsession (foto), produzido por menos de US$1 milhão, ultrapassar os US$150 milhões em bilheteria mundial em apenas duas semanas. Fontes já afirmam que tem estúdio disposto a pagar cachês que giram em torno de US$ 10 milhões para que ele dirija seu próximo filme.

    Mas os dois são apenas os exemplos mais recentes de um fenômeno que já vinha dando sinais de força. Em 2022, os irmãos Danny e Michael Philippou, conhecidos pelo canal RackaRacka, surpreenderam Hollywood com Talk to Me, um dos maiores sucessos da história recente da A24. Antes deles, David F. Sandberg saiu de curtas de terror publicados online para dirigir Lights Out e, pouco depois, assumir franquias milionárias como Annabelle: Creation e Shazam!.

    O mais interessante é que jovens como Parsons e Barker (foto) fazem parte de uma geração que aprendeu a contar histórias da internet para a internet, desenvolvendo narrativas em diálogo constante com comentários, memes, games, fóruns e comunidades ativamente online. Ao invés de adaptar uma linguagem tradicional para as redes, eles fizeram o caminho inverso: levaram para o cinema uma estética e um repertório cultural que nasceram dentro da própria internet, algo que ajuda a explicar a forte conexão com o público mais jovem.

    Isso não significa que Hollywood deixará de apostar em franquias ou que qualquer criador digital se tornará um diretor de sucesso, mas o crescimento dessa geração de cineastas sugere uma mudança importante: o YouTube deixou de ser uma plataforma de amadores para se tornar um espaço de formação criativa. Se antes a internet era vista como concorrente das salas de cinema, agora ela pode estar funcionando como a principal incubadora dos diretores que definirão os próximos anos da indústria e quem sabe, até mesmo salvar o cinema.

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