Pecadores

A figurinista Ruth E. Carter (vencedora do Oscar 2019 por Pantera Negra) conta ter se baseado em fotos de gângsters da época para criar o figurino dos irmãos gêmeos interpretados por Michael B. Jordan, na história que se passa no sul dos Estados Unidos dos anos 1930. Ternos completos de lã (blazer + colete) com relógio de corrente e prendedor de gravata compõem muitos dos looks, assim como a paleta de azul e vermelho que, segundo a figurinista, vem da relação com o blues e com o movimento migratório das plantações no Delta Mississipi, onde a trama do filme acontece.
Avatar: Fogo e Cinzas

O figurino de Deborah L. Scott – Oscar por Titanic, com E.T. e De Volta para o Futuro no currículo – nasce no mundo físico antes de existir no digital. A equipe desenhou à mão e construiu centenas de peças e adereços que depois foram traduzidos para CGI. A paleta de cores organiza os clãs de Pandora com tons terrosos e quentes para povos ligados ao fogo e à terra, e diferentes azuis para outras comunidades, criando contrastes visuais claros entre territórios.
Frankenstein

Em seu terceiro trabalho ao lado do diretor Guillermo del Toro, Kate Hawley troca o preto do gótico e da era vitoriana por uma paleta expressiva de cores, com tons de vermelho, verde iridescente e azuis, que ajudam a refletir emoções e conexões entre os personagens. Elizabeth (Mia Goth) recebe atenção especial com tecidos sofisticados e acessórios inspirados em insetos, traduzindo sua ligação com a natureza e a ciência. Sedas marmorizadas, veludos e véus translúcidos criam uma presença quase etérea, enquanto as joias Tiffany reforçam o aspecto luxuoso da personagem. Já a criatura vivida por Jacob Elordi tem um figurino que evolui ao longo da história, acompanhando sua própria transformação.
Hamnet: A vida antes de Hamlet

A polonesa Malgosia Turzanska (que já passou pela série Stranger Things) evita romantizar o passado. O período elisabetano aparece por meio de roupas utilitárias, linho cru, lã pesada e algodão grosso em tons gastos, usadas repetidamente pelos personagens, como aconteceria na realidade. O desgaste das peças acompanha o ritmo da vida e do luto. No centro da narrativa, Agnes, vivida por Jessie Buckley, surge inicialmente em tons mais quentes, como vermelho e laranja, que aos poucos desaparecem conforme a tragédia se instala, enquanto o personagem de Paul Mescal permanece inserido nessa paleta sóbria que define o tom visual do filme.
Marty Supreme

Em Marty Supreme, a jovem figurinista Miyako Bellizzi usa as roupas como sinal de ambição e ascensão social. Ambientado na Nova York de 1952, o filme parte de referências reais do Lower East Side e da alfaiataria associada a figuras de poder da época: ternos amplos, ombros estruturados, calças de cintura alta e muito tecido, um código visual ligado ao status no pós-guerra. À medida que o personagem avança, o figurino muda em detalhes sutis de caimento, tecido e acessórios. Já a personagem de Gwyneth Paltrow surge em looks com referências às casas de moda em alta naquele período, como Dior e Balenciaga.