O fim de Euphoria: “A maioria das pessoas não ganha uma segunda chance”
Depois de três temporadas marcadas por polêmicas, Euphoria chegou ao fim. E Sam Levinson, seu criador, acredita que não havia outro destino para a série.
Depois de três temporadas marcadas por polêmicas, Euphoria chegou ao fim. E Sam Levinson, seu criador, acredita que não havia outro destino para a série.
O fim de Euphoria: “A maioria das pessoas não ganha uma segunda chance”
Depois de três temporadas marcadas por polêmicas, Euphoria chegou ao fim. E Sam Levinson, seu criador, acredita que não havia outro destino para a série.
Depois de três temporadas marcadas por polêmicas, Euphoria chegou ao fim. E Sam Levinson, seu criador, acredita que não havia outro destino para a série.
[Esse conteúdo contém spoilers do episódio final de Euphoria]
Depois de três temporadas marcadas por polêmicas, Euphoria chegou ao fim! E Sam Levinson, seu criador, acredita que não havia outro destino para a série. Em entrevista ao New York Times, o diretor explicou o final da produção, falou sobre a influência da morte de Angus Cloud (que interpretou o traficante Fezco) na construção da temporada e respondeu às críticas que acompanharam a produção desde sua estreia, da glamourização das drogas à hipersexualização dos personagens.
Mas, enquanto Levinson defende que Euphoria sempre foi uma história sobre as consequências do vício, parte do público acredita que a série se perdeu pelo caminho. Afinal, o que começou como um retrato íntimo de uma geração terminou como algo muito diferente.
Transmitido neste domingo (31.05), o episódio final de Euphoria colocou um ponto final definitivo em uma das séries mais comentadas e controversas da última década. Ao longo de suas três temporadas, a produção criada por Sam Levinson acumulou elogios pela estética marcante e por lançar muitos dos novos nomes do cinema como Zendaya, Sydney Sweeney e Jacob Elordi, mas também foi alvo constante de críticas por sua abordagem sobre sexualidade, uso de drogas e violência.
Em termos da história que nos propusemos a contar, que é uma história sobre vício e suas consequências, isso me parece um final. A história de Euphoria é trágica no fim das contas, mas também é a verdade. Se você está experimentando ou usando drogas hoje em dia, é muito possível que isso te mate.
SAM LEVINSON AO THE NEW YORK TIMES
Na última temporada, a série passou a ser acusada de abandonar a complexidade emocional que conquistou o público para apostar em narrativas cada vez mais radicais e chocantes, com muitos espectadores apontando uma crescente hipersexualização de personagens femininas e um tratamento considerado misógino em alguns de seus arcos.
Uma das grandes ideias temáticas desta temporada era remover as ilusões sobre o mundo em que vivemos — seja a ideia de que curtidas vão preencher sua alma, que amor, dinheiro, fama ou drogas vão oferecer algum tipo de fuga.
SAM LEVINSON AO THE NEW YORK TIMES
A série ampliou seu escopo para tramas envolvendo tráfico de drogas, violência extrema e organizações criminosas, afastando-se do retrato mais íntimo da juventude que marcou os primeiros episódios. O episódio final elevou ainda mais a polêmica ao matar Rue Bennett (Zendaya) em uma overdose de comprimidos contaminados com fentanil, encerrando de forma trágica a história da protagonista.
Eu tinha escrito originalmente um caminho diferente para a Rue durante a greve dos roteiristas. Então recebemos a notícia da morte do Angus. Sempre me preocupei muito com a presença do fentanil. É algo que abordamos ao longo das temporadas e até em filmes anteriores meus. Mas depois que ele morreu, precisei repensar o roteiro. E pensei: você não pode contar uma história sobre vício hoje sem abordar as consequências reais disso. A maioria das pessoas não ganha uma segunda chance. O fentanil pode simplesmente tirar sua vida em um instante.
SAM LEVINSON AO THE NEW YORK TIMES
Em entrevista ao New York Times publicada após o desfecho da série, Levinson defendeu a decisão e confirmou que o episódio foi pensado como um encerramento definitivo para a história. Segundo o diretor, a morte de Rue foi influenciada pelo impacto da crise do fentanil e pela morte de Angus Cloud, intérprete de Fezco, que faleceu em 2023 após uma overdose acidental. Para Levinson, a tragédia da protagonista era a única conclusão possível para uma série que sempre teve a dependência química como tema central.
O criador também rebateu críticas recorrentes envolvendo a sexualização dos personagens e afirmou que as consequências do comportamento destrutivo mostrado na série sempre foram parte fundamental da narrativa, ainda que Euphoria tenha permanecido dividindo opiniões até seus momentos finais. Ele se defende sobre Cassie, embora também tenha optado por enredos tendo o sexo como eixo principal no caso de outros personagens femininos como Jules (Hunter Schafer) e Maddy (Alexa Demie).
Desde o primeiro dia desta série, a Cassie só quer ser amada. Ela quer ser adorada. Para mim, isso [Only Fans] parece uma progressão natural da lógica das redes sociais. Seja Instagram ou qualquer outra plataforma, você é o produto, você é a marca. Tudo gira em torno da validação externa. Quando escrevi aquilo pela primeira vez, pensei: talvez possamos filmar tudo sem nudez, talvez exista uma forma de contornar algumas coisas. E ela olhou para mim e disse: ‘Você está brincando? Eu estou interpretando uma modelo de OnlyFans. Você está me dizendo que vai tentar esconder isso?’ E eu pensei: é, você tem razão.
SAM LEVINSON AO THE NEW YORK TIMES