Conheça o Poeta Visual, artista que levou ouro em Cannes com filme do BK
Dos treinos de polo aquático em Mogi das Cruzes ao Ouro em Cannes, Arthur Lopes fala sobre a trajetória que o transformou em uma das principais promessas do audiovisual brasileiro.
Conheça o Poeta Visual, artista que levou ouro em Cannes com filme do BK
Dos treinos de polo aquático em Mogi das Cruzes ao Ouro em Cannes, Arthur Lopes fala sobre a trajetória que o transformou em uma das principais promessas do audiovisual brasileiro.
Há poucos anos, Arthur Lopes chegou a São Paulo para tentar viver do polo aquático. Hoje, aos 23 anos, o jovem de Mogi das Cruzes é apontado como uma das promessas da nova geração do audiovisual brasileiro. Sob o nome Poeta Visual (apelido que ganhou de um amigo e depois incorporou), o fotógrafo e diretor construiu uma linguagem própria que cruza fotografia, moda, rap e ancestralidade. Seu trabalho nasce da cultura urbana, das vivências de um jovem negro e de um olhar atento às pessoas, às ruas e às histórias que costumam passar despercebidas.
Foi esse olhar que o levou de uma câmera de celular às festas da Void, onde conheceu o cantor Hodari e deu um dos primeiros grandes passos da carreira ao fotografar o GP Week, festival de música que acontece durante a semana da Formula 1. Pouco tempo depois, esse ano, ao lado do diretor Willy Hajli, conquistou o Ouro no Young Director Award, premiação para jovens talentos paralela ao festival de Cannes, com o filme criado para celebrar os 10 anos de “Castelos & Ruínas”, de BK’.
Nesta conversa, o jovem talento fala de como começou a fotografia quase por acaso, da admiração por BK, com quem trabalhou, e de suas referências, que incluem seus amigos stylists e diretores de filme.
Confira a entrevista abaixo:
Você cresceu em Mogi das Cruzes e o esporte teve um papel muito importante na sua vida. Como começou essa relação com o polo aquático?
Cresci em Mogi e minha vida passou muito pelo SESI. Eu tenho asma e, desde pequeno, meu pai me colocou na natação porque é um esporte muito bom para quem tem asma.
Como os esportes lá eram gratuitos, eu fazia praticamente todos. Saía da escola e passava o dia inteiro no SESI. Foi nessa época que abriu uma turma de polo aquático. Entrei como entrei nos outros esportes, mas foi o único pelo qual realmente me apaixonei. Também foi onde comecei a me destacar.
Dentro do esporte, conforme você vai crescendo, as coisas ficam mais sérias. Dependendo do seu nível, você pode se profissionalizar, assinar contrato e viver daquilo. Quando eu tinha 15 anos, recebi uma proposta para jogar no time do SESI em São Paulo. O SESI reúne atletas de várias cidades para formar um time que disputa os campeonatos nacionais e prepara jogadores para a seleção brasileira. Foi por isso que vim morar na Vila Leopoldina, onde ficava a sede do polo aquático. Todo mundo que vinha de outros lugares morava ali para jogar. Era tipo a Disney do polo aquático.
Foi ali que você começou a olhar para outras possibilidades além do esporte?
Na minha cabeça eu só sabia jogar polo aquático. Achava que tinha nascido para fazer aquilo. Nunca tinha me interessado muito por estudar, mas tive um professor de Arte, o Levi, que mudou muita coisa. Nunca esqueço dele. Nas aulas, ele fazia perguntas que me tiravam completamente do lugar comum. Perguntava o que era a vida para a gente, fazia a gente questionar as coisas. Também me marcou muito a relação que os professores tinham com os alunos. Muitos acompanhavam aquelas turmas desde crianças. Era uma relação quase de pai e mãe. Eu nunca tinha visto isso dentro de uma escola.
E como a fotografia entrou na sua vida?
No SESI aconteciam vários projetos. Em um deles, recebemos cerca de 50 crianças de uma instituição de acolhimento para passar o dia lá. Fotografei tudo com o celular e depois publiquei as imagens. A galera gostou muito e eu pensei: “Nossa, que legal.” Na mesma época, um amigo meu, um dos poucos meninos negros do time que morava comigo, falou que queria ser modelo. Eu disse: “Então vou começar a fazer suas fotos.” Comecei fotografando ele em casa, com o celular. Depois outro amigo comentou que tinha uma câmera parada. O pai dele tinha uma marca de sungas e disse que eu podia ficar com ela se fotografasse os produtos da marca. No fim, ele nunca me pediu foto nenhuma e a câmera acabou ficando comigo. Aí comecei a sair por aí fotografando e experimentando.
Em que momento você começou a enxergar outros caminhos além do esporte?
Foi nesse período que conheci o Rui, e ele foi uma figura muito importante na minha vida. Eu não tinha referências de pessoas pretas no meu dia a dia. Um dia raspei o cabelo e queria pintar. Entrei no Instagram, apareceu o perfil dele e achei que ele fosse famoso. Mandei uma mensagem perguntando onde ele pintava o cabelo. Dois minutos depois ele respondeu: “Eu mesmo pinto. Se você quiser vir aqui em casa, eu faço.” No dia seguinte eu estava na casa dele. Nem conhecia o Rui direito e, desde então, a gente nunca mais se desgrudou. Quando conheci um cara preto que pintava o cabelo, usava cropped, pintava as unhas e era completamente autêntico, pensei: “Caraca, eu quero ser esse cara.” Minha cabeça mudou, passei a entender que existiam pessoas como ele e ele acabou virando uma grande referência para mim.
Eu não conhecia nada da cidade, foi o Rui quem começou a me levar para os rolês, para brechós, festas e lugares que eu nunca tinha frequentado. Lembro de olhar em volta e pensar: “Meu Deus, existe um mundo.” As pessoas se vestiam do jeito que eu gostava, ouviam as músicas que eu ouvia, eu percebi que existia uma cena da qual eu queria fazer parte. Foi também o Rui quem me contou que fazia música. A gente ficou muito próximo e ele foi a primeira pessoa que falou: “Você vai ser meu fotógrafo.” Ninguém nunca tinha falado isso para mim. Quando ouvi aquilo, pensei: “Caraca, acho que eu sou fotógrafo mesmo.”
Mas você ainda conciliava isso com o polo aquático. Quando veio a decisão de deixar o esporte?
Em 2022. Eu já tinha terminado o ensino médio e estava no sub-20. Nessa fase, ou você sobe para o profissional ou precisa procurar outro clube, porque o espaço é muito pequeno.
Meu técnico chegou em mim e falou: “Estou vendo que seu interesse nem é mais o polo. Acho que o melhor caminho para você é encerrar por aqui.” Como a fotografia já fazia parte da minha vida, eu não fiquei perdido. Pensei: “Vou me jogar de cabeça nisso.” O Rui também falava: “Você vai fazer minhas fotos”, então abracei essa ideia.
Eu ainda não conseguia ganhar dinheiro com isso [fotografia], então comecei a fazer freelas. Meu primeiro trabalho foi no Supra, na Vila Madalena. Lembro exatamente do dia porque era o jogo do Brasil contra a Croácia, na Copa do Mundo. Trabalhei lá por uns quatro meses, foi uma experiência muito boa, o pessoal me acolheu muito. Eu fazia esses trabalhos porque tinha uma certeza: não queria voltar para Mogi. Sentia que lá já não tinha mais nada para mim.
No meio desse caminho apareceu a oportunidade de trabalhar na Void. Fiquei na dúvida porque era um trabalho de quarta a domingo. Conversei com o Rui e perguntei se aquilo não poderia me afastar dos meus objetivos e ele respondeu: “Pensa que os artistas passam por lá o tempo inteiro. Se você souber conduzir isso, as pessoas podem conhecer o seu trabalho.” Aquilo fez muito sentido para mim. Entrei na Void já pensando no dia em que sairia. Meu objetivo era fazer as pessoas conhecerem meu trabalho e transformar aquilo em oportunidades.
Comecei como garçom, depois me deram a oportunidade de fotografar as festas da casa. Antes disso, o Hodari já frequentava muito a Void e eu sempre o atendia. A gente foi criando uma relação. Um dia ele perguntou: “O que você gosta de fazer além de trabalhar aqui?” Respondi: “Meu sonho é tirar foto.” Ele falou: “Então eu vou levar você para trabalhar comigo.” Na hora nem acreditei porque já tinha ouvido isso de outras pessoas. Dois meses depois ele me mandou uma mensagem dizendo: “Vou fazer um show no Allianz. Quero que você fotografe.” Era o show de abertura do GP Week, quando o Kendrick Lamar veio ao Brasil. Foi a primeira vez que fotografei o Hodari e também o dia em que fiz minha primeira tatuagem, a do álbum dele.
Depois desse primeiro trabalho com o Hodari, o que aconteceu?
As coisas começaram a acontecer muito rápido. Ao mesmo tempo em que fotografava as festas da Void, fiz uma festa da Suí em que o Deekapz tocou. Depois, o Tom me mandou uma mensagem dizendo que tinha gostado muito das fotos. Comecei a trabalhar com eles, fiz o 0800 e fui com eles para o Baile da Vogue. Daqui a pouco, por causa do Hodari, o Derek me conheceu e começou a me chamar para outros trabalhos. As coisas foram escalando até chegar um momento em que eu não conseguia mais conciliar tudo com o trabalho de garçom na Void.
Como aconteceu seu primeiro contato com o BK? Você já era fã do trabalho dele?
Acho que minha relação com o BK começou com “Castelos & Ruínas”. Eu cresci ouvindo o BK. É muito doido pensar como a vida vai levando a gente para lugares que nem imagina. Também tenho vários amigos em comum com ele, o Hodari, por exemplo, é primo do BK. Então, de certa forma, eu sempre estive por perto desse universo, mesmo sem ter um contato direto com ele.
E como surgiu o convite para trabalhar no filme dos 10 anos de Castelos & Ruínas?
Foi uma sequência de acontecimentos. Uma das minhas primeiras referências no audiovisual foi o Alysson Freitas, eu via os trabalhos que ele fazia com o celular e pensava: “Meu Deus, eu quero ser esse negro.” Um dia ele apareceu na Void. Fui atendê-lo e fiquei tão nervoso que errei o pedido dele. A comida demorou mais de uma hora para sair. Hoje a gente ri disso porque somos muito amigos.
Quando voltei da Europa, no ano passado, estava sem trabalho. Comecei a responder aos stories de todo mundo porque precisava trabalhar. O Fidelis postou uma foto com o Alysson. Respondi dizendo: “Meu sonho é dividir um set com vocês.” Ele respondeu perguntando se eu estava livre no dia seguinte. Eles estavam gravando um projeto para a Casa da Música Brasileira, da Petra, e acabei entrando na equipe. O pessoal gostou muito de mim e permaneci durante todo o projeto. Além de me dar uma grana, aquilo me aproximou muito do Alysson.
Depois disso, eu e o Alysson ficamos muito próximos. Um dia, num evento da Pace, a gente estava conversando e ele lembrou do Willy, que foi uma pessoa muito importante na formação dele como diretor. Ele mandou um áudio para o Willy dizendo: “Você precisa conhecer o Poeta.” O Willy me chamou para conversar na Moon Heist, queria saber quem eu era, entender meu trabalho e minhas ideias. A partir daí a gente foi construindo uma relação. Eu falava que queria dirigir também, e eles começaram a me chamar para conhecer a produtora e entender como funcionava a rotina, no ano passado. Foi isso que acabou levando ao convite para fazer o filme do BK.
Como nasceu o filme dos 10 anos de Castelos & Ruínas? O BK participou do processo criativo?
Quando o projeto chegou para a gente, a ideia era fazer só um teaser. Também não tinha muita grana, o pedido era anunciar os dez anos de Castelos & Ruínas. Na hora eu falei para o Willy: “Mano, esse contexto é muito importante para a gente fazer só um teaser.” Então, eu propus que a gente escrevesse um curta e apresentasse essa ideia. Se eles não gostassem, a gente faria o teaser que tinham pedido.
Da primeira linha do roteiro até entregar o filme foram cerca de três semanas. A gente escreveu o roteiro, reuniu referências visuais, fez o tratamento e apresentou tudo para a equipe do BK. Quando terminamos a apresentação e voltamos para a chamada, vimos que as pessoas estavam chorando. O manager falou que precisou desligar a câmera algumas vezes porque tinha se emocionado. Ali eu pensei: “Nossa, que da hora.” O projeto foi aprovado na hora, depois apresentamos para o BK, que também aprovou de primeira. Foi uma experiência muito doida perceber que um roteiro tinha emocionado as pessoas daquele jeito.
Esse foi seu primeiro trabalho como diretor?
Foi. Esse foi meu primeiro trabalho de direção.
E de quem foi a ideia de inscrever o filme em festivais?
Foi do Willy. Ele é completamente apaixonado por cinema e já conhecia muito bem esse circuito de festivais. Esse prêmio era um sonho para ele, fazia sete anos que tentava chegar entre os finalistas. Como existe um limite de idade, aquela era a última oportunidade dele, porque ele tem 29 anos, e era até os 30. Quando terminamos o filme, ele já sabia exatamente para quais festivais iria inscrevê-lo. Eu ainda estava entendendo esse universo.
O que você trouxe para esse projeto?
Acho que trouxe um lugar muito ligado à minha relação com o BK. Como falei, esse contato começou há quase dez anos, ouvindo os discos dele todos os dias. É uma pesquisa que faço diariamente até hoje. Então muitas conexões vieram naturalmente. O Willy trouxe toda a experiência dele como diretor, tanto técnica quanto cultural. E eu trouxe esse lugar mais narrativo, essa relação com a obra do BK. Acho que foi desse encontro que nasceu o filme.
Depois desse filme, como você enxerga o próximo passo da sua carreira? A direção passa a ser o foco?
Esse filme mudou completamente a minha vida. Depois dele, a equipe do BK veio atrás de mim porque queria que eu trabalhasse diretamente com eles. Hoje estou na empresa, em um lugar de coordenação criativa. Como ainda estou fazendo muitas coisas que nunca tinha feito, eles também estão me preparando para ser o diretor criativo do BK nos próximos anos. Estou aprendendo e tendo todo o suporte para isso. Hoje estou nesse lugar de descobrir quem é o Poeta, não necessariamente com a câmera na mão, mas também com ela, óbvio, porque ser diretor criativo não me afasta do cinema, nem da fotografia. Pelo contrário, dentro da empresa também vou dirigir, fotografar e desenvolver projetos.
De onde vêm as suas referências? São mais das suas vivências ou de outras pessoas?
Eu descobri neste set [BK] o que é ser um bom diretor para mim. E eu acho que é fazer com que as pessoas acreditem na história que você está contando e se sintam pertencentes a ela. Quando alguém que está trabalhando com você olha para aquele filme e fala: “Esse filme também é meu”, acho que aí você foi um bom diretor.
Eu nunca fui uma pessoa muito nerd, até os 18 anos eu praticamente só sabia jogar polo aquático, eu não consumia muita coisa além daquilo. E quando eu vim para São Paulo conheci o Rui, depois o Hitsu, o Dope, a Ariel e tantas outras pessoas que mudaram e mudam completamente a forma como enxergo o mundo. Eu costumo dizer que sou fruto das pessoas que amo e de todas as trocas que eu tenho, eu sou o resultado disso tudo.
Olho para pessoas como o Alysson, o Hitsu e o Dope e penso: “Como vocês chegam nessas ideias?” Eles são referências para mim. Ao mesmo tempo, são essas pessoas que me dão um chão para pisar, uma base. Quando eles percebem que estou indo para um caminho que não faz sentido, eles me puxam de volta, existe uma troca muito humana entre a gente de não romantizar as coisas e nem de pensar que somos melhores do que todo mundo.
Acho que minhas referências vêm muito da forma como eu olho com respeito para as minhas amizades e também da forma como me cobro para olhar com respeito para a minha família. Hoje mesmo eu estava no metrô pensando nisso: quando a gente vai para a Europa, tudo parece bonito, a gente fotografa a senhora lendo jornal no metrô, as luzes, as pessoas, a cidade, tudo vira imagem. Mas, quando estamos no Brasil, vivendo a rotina, parece que a gente esquece de enxergar beleza nas coisas. Nada é glamourizado porque faz parte do nosso dia a dia.
Às vezes fico pensando que, se tivesse vindo para cá pela primeira vez, acharia tudo incrível também. As luzes, as pessoas, essa loucura.
Então eu tento fazer essa manutenção do meu olhar. Pensar: “A gente ainda é jovem, olha os lugares que está ocupando”, mas lembrar também que ainda existe muita coisa para fazer. Acho que minhas referências vêm muito dessa base.
Claro que existem referências técnicas e pessoas que admiro. Durante um tempo acompanhei muito o trabalho do Gabriel Moses, por exemplo, mas hoje tenho tentado me desapegar um pouco dessa ideia de buscar uma referência específica. Acho que tudo é referência, a gente está consumindo coisas o tempo inteiro.
A moda e o rap também fazem parte desse repertório?
Cem por cento. O rap sempre foi um lugar de expressão, de existir e ocupar espaço, acho que a moda também faz isso, a gente precisa se expressar. Lembro de assistir ao desfile da Pace e pensar: “Meu Deus.” Nunca tinha visto uma coisa daquela de perto, aquilo também está comunicando alguma coisa, se expressar é uma necessidade humana.
Eu tenho até uma pira meio maluca sobre isso. Estou conversando com uma marca, ainda não posso falar qual é, justamente porque fico pensando nisso. A gente sempre vê artistas do rap e da música colaborando com marcas e eu fico pensando: quando é que vamos ver um fotógrafo ou um diretor de cinema ocupando esse lugar também? Fazendo uma colaboração como artista ou assumindo cargos criativos dentro de uma marca? A gente vê o Kanye West, vê o Pharrell na Louis Vuitton… Mas por que o Spike Lee, por exemplo, não pode ser diretor criativo? Quem conta essas histórias somos nós. A gente conta a história do Kanye, a gente conta a história do Pharrell. Então por que a gente também não pode contar a história de uma marca ou criar a nossa própria marca?
Eu me enxergo muito nesse lugar de um artista colaborando com um artista. Quando entrei para trabalhar com o BK, deixei isso muito claro, eu não sou um funcionário do BK, sou um artista colaborando com outro artista. Não vim para cá apenas para prestar um serviço, vim para ser o Poeta e levar isso ao máximo para fortalecer a imagem dele. Tenho isso muito claro e tenho tentado fazer o mercado me enxergar dessa forma, é difícil, mas acho que estou trilhando um bom caminho.
E de onde surgiu o nome “Poeta Visual”?
É muito doido, quem me chamou assim pela primeira vez foi o Vitor Cipriano. Um dia eu encontrei ele na rua e comecei a mostrar umas fotos que eu fazia com o celular. Na época eu era muito fissurado em fotografar em preto e branco. Ele olhou e falou: “Mano, você é um poeta visual.” Aquilo ficou na minha cabeça. Pensei: “Caraca, ninguém nunca fez um elogio tão bonito para mim.” Eu nem sabia que existia esse termo. E eu passei a colocar “Poeta Visual” na bio do meu Instagram.
Depois o Hodari falou: “Você precisa de um nome mais marcante, as pessoas precisam bater o olho e saber que aquele trabalho é seu.” Aí pensei: “Quer saber? Vou mudar.” Troquei o Instagram para Poeta Visual achando que seria só um arroba. Uma semana depois eu estava andando de metrô e alguém gritou: “Ô, Poeta!” Olhei para trás e era comigo. Ali eu percebi que tinha virado muito maior do que um nome de usuário, hoje tem muita gente que nem sabe que meu nome é Arthur, tanto que tatuei “Poeta Visual” no peito. Esse nome mudou a minha vida, existe um Arthur antes dele e outro depois.
E hoje você assina tudo como Poeta Visual?
Eu falo para as pessoas, eu não sou um fotógrafo, eu não sou um diretor, eu faço poesias visuais. Eu fiz um filme agora, mas amanhã posso fazer foto, depois posso fazer uma coleção de moda. Tudo isso, para mim, é poesia visual. Então, eu acho que eu inaugurei uma categoria minha.