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    Quando foi que o azeite ficou tão sexy?

    O azeite encontrou uma posição rara: continua sendo um dos ingredientes mais antigos da história da alimentação, mas passou a operar segundo códigos absolutamente contemporâneos.

    Quando foi que o azeite ficou tão sexy?

    O azeite encontrou uma posição rara: continua sendo um dos ingredientes mais antigos da história da alimentação, mas passou a operar segundo códigos absolutamente contemporâneos.

    POR Laura Budin

    O azeite saiu da salada, conquistou as sobremesas, entrou nas rotinas de wellness e virou objeto de desejo para uma geração obcecada por design, gastronomia e lifestyle. E a pergunta que fica é: Quando foi que o azeite ficou cool? Entenda mais no post acima e deixe nos comentários: depois do café, do matchá, da sardinha, dos vinhos e agora do azeite, qual será o próximo ingrediente a virar objeto de desejo?

    Dua Lipa e uma descoberta que nunca foi novidade

    Quando Dua Lipa revelou que gosta de finalizar uma bola de sorvete de baunilha com azeite de oliva e flor de sal, muita gente reagiu como se estivesse diante de uma excentricidade de celebridade. A combinação rapidamente se espalhou pelo TikTok, ganhou vídeos de criadores como Nara Smith e virou pauta em publicações de gastronomia ao redor do mundo. A surpresa coletiva, porém, revelava algo mais interessante do que a sobremesa em si: o azeite havia conquistado um novo status cultural.

    O encontro entre sorvete e azeite já frequenta gelaterias italianas, restaurantes e cozinhas de alta gastronomia há anos. Exemplos nacionais ficam para a Italien Gelato, no JK Iguatemi, e a Babaê, em Pinheiros. Ambas criaram suas versões de sorvete com azeite, a última com o de bisnaga Lóv. Já a pizzaria paulista Paul’s Boutique incentiva os clientes a finalizarem a casquinha com azeite da marca Zétona, numa combinação mais clássica.

    A embalagem também virou ingrediente
    Se existe uma marca que sintetiza a nova fase do azeite, ela atende pelo nome de Graza. Fundada nos Estados Unidos, a empresa alcançou faturamento milionário apostando em uma ideia que parece simples apenas à primeira vista: trocar as tradicionais garrafas de vidro por embalagens squeeze inspiradas nos frascos utilizados por cozinheiros profissionais. O produto continua sendo azeite, mas a percepção ao redor dele muda completamente.

    Uma análise publicada pela Business of Fashion no ano passado apontava justamente para a crescente influência da comida na cultura visual contemporânea. O Brasil acompanhou o movimento rapidamente com marcas como Benza, Lóv e Zétona que surgiram apostando em embalagens squeeze, comunicação digital afiada e uma estética que conversa muito mais com o universo criativo contemporâneo mantendo a qualidade de um azeite extravirgem com baixa acidez.

    Do prato à rotina de wellness
    Há anos circulam nas redes sociais vídeos de pessoas consumindo doses de azeite extravirgem logo pela manhã — Hailey Bieber mesmo já mencionou o hábito como parte de sua rotina. Mais recentemente, uma nova versão da tendência ganhou força: a combinação de azeite com limão consumida antes de dormir. O ritual aparece frequentemente ligado a promessas de desinchaço, melhora digestiva e apoio aos processos naturais de recuperação do organismo.

    Especialistas costumam apontar que muitas dessas alegações ainda carecem de comprovação científica robusta. Ainda assim, a popularidade da prática ajuda a explicar o lugar simbólico que o azeite passou a ocupar. Assim como matcha, cúrcuma, colágeno e vinagre de maçã em diferentes momentos da última década, o ingrediente passou a funcionar como um marcador visual de uma determinada ideia de autocuidado.

    A cultura contemporânea encontrou um novo símbolo
    Dados do Conselho Oleícola Internacional indicam que a produção global de azeite praticamente triplicou nos últimos 60 anos, enquanto o consumo mundial segue em crescimento. Em um período marcado pela transformação de hábitos cotidianos em símbolos de identidade, o azeite encontrou uma posição rara: continua sendo um dos ingredientes mais antigos da história da alimentação, mas passou a operar segundo códigos absolutamente contemporâneos.

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