A Meta (dona do Instagram, Facebook e WhatsApp) e o YouTube foram considerados responsáveis por quadros de ansiedade e depressão de uma jovem usuária. No centro do julgamento estão recursos que a gente usa todo dia, como o scroll infinito, o autoplay e as recomendações algorítmicas. Eles foram apontados como fatores determinantes para os danos à saúde mental dela. O veredito inclui indenizações milionárias.
Essa é a primeira vez que o funcionamento dessas plataformas é tratado como causa direta de dano, e não apenas como o canal por onde o conteúdo circula, um argumento muito usado por essas companhias. Parece um detalhe técnico, mas, na prática, representa uma virada: se o design em si é o problema, a responsabilidade das empresas é outra.
A decisão pega a Meta num momento já bastante turbulento. A empresa acumula pressões regulatórias, condenações por falhas na proteção de menores e o fracasso do metaverso. Mas mais do que um tropeço corporativo, esse julgamento abre caminho para uma enxurrada de processos semelhantes já em andamento — e dá respaldo legal para um debate que essa indústria vinha conseguindo adiar.
Depois desse veredito, fica difícil continuar tratando o scroll como coisa inofensiva. Se o design de uma plataforma influencia comportamento, consumo e até saúde mental, a experiência digital também é responsabilidade de quem a criou?