De turnês na Europa a aval de Bad Bunny, Pedro Mizutani é o nome para ouvir agora
Descoberto por um selo francês durante a pandemia, o cantor carioca conquistou uma audiência internacional antes mesmo de chamar a atenção de Bad Bunny.
De turnês na Europa a aval de Bad Bunny, Pedro Mizutani é o nome para ouvir agora
Descoberto por um selo francês durante a pandemia, o cantor carioca conquistou uma audiência internacional antes mesmo de chamar a atenção de Bad Bunny.
Nesta semana, o FFW Sounds destaca Pedro Mizutani, cantor e compositor carioca que recentemente foi parar nos stories de Bad Bunny, mas que bem antes já vinha conquistando ouvintes fora do Brasil com uma sonoridade que passeia entre a MPB, o indie e a experimentação.
Descoberto por um selo francês durante a pandemia, Pedro já realizou turnês pela Europa e construiu uma audiência global antes mesmo de ganhar maior projeção por aqui.
Em entrevista ao produtor de conteúdo Guilherme Rocha , o cantor falou sobre sua trajetória, o significado por trás de “Nova Bossa: aquele abraço aos ratos vivos”, seu álbum de estreia, e o impacto de ter uma de suas músicas compartilhada por um dos maiores artistas do mundo.
Você já conhecia o trabalho de Pedro?
DE FORA PARA DENTRO
Muito antes de aparecer nos stories de Bad Bunny, Pedro já construía uma trajetória internacional. Descoberto durante a pandemia pela Nice Guys Records, selo independente francês, o artista viu suas músicas encontrarem ouvintes muito além do Brasil logo nos primeiros lançamentos. Desde então, seu trabalho passou a circular em playlists e comunidades de música alternativa ao redor do mundo. Pedro também realizou duas turnês pela Europa, incluindo apresentações com ingressos esgotados em Portugal, consolidando uma conexão com o público internacional antes mesmo de ganhar projeção mais ampla por aqui.
MAS AFINAL, QUEM É PEDRO MIZUTANI?
Cantor, compositor e produtor carioca de 24 anos, o artista vem chamando atenção por unir a sensibilidade da MPB com elementos do pop alternativo e da música experimental. Sua trajetória começou durante a pandemia, quando passou a publicar covers e composições autorais nas redes sociais, atraindo a atenção do selo francês Nice Guys Records. Com letras intensas e um olhar atento às contradições da vida contemporânea, ele define seu trabalho como uma mistura entre o pop e a subversão de fórmulas já estabelecidas.
UMA MÚSICA PARA COMEÇAR: “ESCASSEZ”
Apontada pelo próprio Pedro como uma das músicas que melhor representam sua trajetória recente, “Escassez” é uma ótima porta de entrada para seu trabalho. A faixa combina uma sonoridade que transita entre MPB, indie e elementos experimentais, sem perder o apelo melódico. É também uma boa amostra da forma como o. O resultado é uma canção que soa ao mesmo tempo familiar e inesperada, característica que tem se tornado uma das principais marcas de Pedro.
“NOVA BOSSA: AQUELE ABRAÇO AOS RATOS VIVOS”: O DISCO QUE PEDRO ESPEROU ANOS PARA LANÇAR
Lançado este ano depois de muitos singles, o primeiro álbum não nasceu de um conceito fechado, mas de um acúmulo de músicas que Pedro guardava há anos por não se encaixarem na estética que vinha sendo construída ao seu redor. Aos poucos, essas composições acabaram revelando um tema em comum: o processo de se tornar adulto. O resultado é um disco que abraça contradições. Ao mesmo tempo em que dialoga com a tradição da MPB, ele busca novas formas de contar histórias e enxergar o Brasil, longe de imagens idealizadas. “É a primeira vez que tenho liberdade para me expressar em um projeto do qual realmente tenho orgulho”, conta.
A CURIOSA ORIGEM DE “RATOS VIVOS”
Se você se perguntou de onde vêm os “ratos vivos” do título do álbum, a resposta está na infância de Pedro. O cantor conta que era chamado de “rato morto” pelos amigos quando criança. Em vez de abandonar o apelido, resolveu ressignificá-lo e transformá-lo em algo seu. Para ele, os “ratos vivos” simbolizam parte do que Pedro busca traduzir em suas músicas: personagens imperfeitos, sentimentos contraditórios e uma honestidade que passa longe de qualquer idealização.
A seguir, leia parte da conversa de Pedro com o produtor de conteúdo de moda e cultura da FFW Guilherme Rocha.
- O que VOCÊ ACREDITA QUE diferencia o seu olhar dentro da música hoje?
Acho que sou uma contradição interessante entre o pop, que é feito sob um viés comercial, e a subversão de estruturas já meio batidas. Gosto do experimentalismo que não perde de vista um interlocutor mais geral, e sinto que não tem tanta gente tentando unir essas duas coisas hoje. Eu componho tudo com uma honestidade brutal que flerta com o inconsciente e com o coletivo. Acho que isso é muito perceptível nas minhas letras e, principalmente, no álbum novo.
- O que você gostaria que as pessoas levassem consigo depois de ouvir o álbum?
Acho que catarse. Uma identificação que traga conforto e uma conscientização de certas pautas que não têm a devida relevância no senso comum brasileiro, como a desigualdade social, a saúde mental, o isolamento e a profundidade subjetiva.
- O que representou para você Bad Bunny ter compartilhado uma música (ou o que tenha sido) sua nos stories dele?
Como ele é alguém muito atual e que dita pautas, eu absorvo isso como um reconhecimento de que estou fazendo algo novo e popular, que ressoa com esse tipo de cabeça. Não acredito em coincidência, então esse compartilhamento me deu uma certa confiança.
- E olhando para o futuro, quais caminhos você ainda quer explorar na sua música?
Quero explorar muita coisa ainda. Pretendo me especializar mais no processo de produção e mixagem, assim como na escrita e nas ciências sociais… E aí vamos ver o que é que sai disso.