Quem disse que a pista morreu? Madonna prova em ‘Confessions II’ que a noite é sua salvação e fiel companheira
Quem disse que a pista morreu? Madonna prova em ‘Confessions II’ que a noite é sua salvação e fiel companheira
Para muitos, a música eletrônica e as luzes estroboscópicas são apenas o pano de fundo de uma noite descompromissada. Para Madonna, aos 67 anos, elas continuam sendo o ar que ela respira. Em seu mais novo lançamento, Confessions II (Warner Records), a artista pop não apenas retorna ao território que dominou há duas décadas com o clássico Confessions on a Dance Floor (2005), mas faz uma declaração de amor definitiva: a pista de dança não só está viva, como é sua melhor amiga, seu refúgio e sua fiel companheira até o fim.
Concebido como um set contínuo de DJ, em que cada faixa se entrelaça na outra sem interrupções, o disco é um reencontro com o produtor Stuart Price. Se em 2005 a proposta era uma festa disco glamourosa, em 2026 Madonna se cerca das mentes mais criativas e disruptivas da atualidade para entregar algo totalmente contemporâneo.
A produção musical ganha o reforço do produtor e DJ britânico Danny L Harle (conhecido por seus trabalhos com Dua Lipa e Caroline Polachek), injetando uma energia clubber eletrônica moderna, crua e subterrânea, que bebe diretamente do techno de Detroit e do house clássico dos anos 90.
A identidade visual do disco revisita a paleta marcante da era de 2005: roxo, rosa e prata, mas substitui a nostalgia por uma estética urbana e futurista. Na direção criativa dessa nova era está o talentoso Ib Kamara, responsável pela identidade visual geral do álbum e pelo styling de algumas imagens promocionais, enquanto Rita Melssen, stylist de longa data da artista, segue fazendo o styling cotidiano, combinando peças do arquivo pessoal de Madonna com silhuetas atuais, entre corsets, couro e tecidos leves.
Como ela mesma decreta nos versos de “One Step Away”: “As pessoas pensam que a dance music é superficial, mas estão completamente erradas.
A pista de dança não é apenas um lugar, é um limiar: um espaço ritualístico em que o movimento toma o lugar da linguagem”. E isso serve para qualquer pessoa, em qualquer idade. Afinal, por que a paixão por um tipo de música precisaria ter uma classificação etária? Aos etaristas que a criticam por preferências estéticas (incluindo os procedimentos) jovens, Madonna dá a resposta.
A aclamação da crítica internacional foi imediata. Veículos de peso como o The Independent e o The Guardian já cravam em uníssono o projeto como “o melhor e mais vital álbum de Madonna em 20 anos”. O grande trunfo de Confessions II está no equilíbrio perfeito entre a catarse eletrônica e uma vulnerabilidade lírica avassaladora.
A cantora expõe suas feridas ao cantar sobre o luto pelo falecimento de seu irmão Christopher Ciccone, relembra a crueza de sua juventude em Nova York na nostálgica “Danceteria” (em alusão ao clube nova-iorquino frequentado por nomes como Basquiat e Keith Hering) e divide os microfones em um emocionante acerto de contas familiar com a filha Lourdes Maria na faixa “The Test”.
A Rainha do Pop estende a mão e nos convida para o único lugar onde ela sempre se sentiu verdadeiramente livre. Portanto, deixem os celulares de lado, e aceitem o chamado: everybody get up and dance!