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    Grupo pop ou reunião da ONU? A era multicultural do k-pop

    Grupo pop ou reunião da ONU? A era multicultural do k-pop

    POR Guilherme Rocha

    Nos últimos anos, parte da indústria pop passou a apostar em uma estratégia mais ambiciosa do que lançar artistas locais para depois tentar exportá-los: criar grupos já pensados para circular globalmente, formados por jovens de diferentes nacionalidades e atravessados por idiomas, culturas e referências musicais diversas. Exemplos como KATSEYE, GIRLSET e SANTOS BRAVOS mostram como o pop vive uma nova fase multicultural, conectada a uma geração que busca identificação, pertencimento e representatividade em escala global.

    A fórmula lembra, em parte, as boybands e girlbands dos anos 1990 e 2000, com integrantes escolhidos para ocupar diferentes estilos, personalidades e lugares de identificação, como acontecia com New Kids On The Block, Backstreet Boys ou Spice Girls. A diferença é que, agora, essa lógica entra em uma etapa mais globalizada: o sistema de treinamento de alta performance consolidado pelo k-pop se junta a seleções que levam em conta não só perfis artísticos e visuais, mas também nacionalidades, idiomas e mercados. E isso inclui os brasileiros, claro.

     

    BLACKPINK: O Embrião do Sucesso Internacional
    Antes de a indústria criar grupos 100% multiculturais, grandes potências do K-pop tradicional já davam sinais
    de que a diversidade seria a chave de uma nova fórmula de sucesso. O maior exemplo disso é o BLACKPINK, criado há uma década, em 2016. Embora seja um fenômeno gerado em Seul, o quarteto sempre carregou uma identidade globalizada: Lisa nasceu na Tailândia, Rosé cresceu na Oceania e Jennie passou a adolescência na Nova Zelândia. Essa vivência internacional e a fluência em múltiplos idiomas foram determinantes para que elas quebrassem recordes no Ocidente, servindo de inspiração para os projetos totalmente globais que viriam a seguir.

    Now United: O Marco Zero do Fenômeno
    Não dá para falar dessa nova era sem citar o pioneirismo do Now United. Criado em 2017 pelo empresário britânico Simon Fuller, o projeto nasceu com a premissa ousada de ter um integrante de cada país, funcionando como uma verdadeira “seleção global” da música. Foi ali que o mundo conheceu o poder desse modelo e o Brasil se viu representado pelo talento de Any Gabrielly. O grupo abriu as portas do mercado internacional para esse formato, provando que a união de diferentes bagagens culturais gerava um engajamento digital sem precedentes.

    BLACKSWAN: O K-Pop Sem Fronteiras (e com Sangue Brasileiro)
    Gerenciado pela sul-coreana DR Music, o BLACKSWAN marcou uma nova fase do K-pop ao se tornar o primeiro grupo ativo do gênero com uma formação inteiramente composta por integrantes não coreanas. Hoje, o quarteto reúne Fatou (Senegal/Bélgica), Sriya (Índia), NVee (EUA) e a brasileira Gabi (Gabriela Dalcin). Antes dela, o grupo também contou com Leia, a primeira brasileira a debutar oficialmente no K-pop. Cantando majoritariamente em coreano, o BLACKSWAN simboliza a expansão global do gênero para além da Coreia do Sul.

    Katseye: A Lapidação DO CONCEITO
    Se o Now United plantou a semente, o Katseye colheu os frutos da evolução desse mercado. Formado em 2024 após o reality show global The Debut: Dream Academy, o grupo feminino é fruto de uma poderosa parceria entre a gigante sul-coreana HYBE e a gravadora americana Geffen Records. Reunindo integrantes de países como Filipinas, Coreia do Sul, Suíça e Estados Unidos, o grupo explodiu globalmente com o hit “Touch”. Elas consolidaram o padrão visual e coreográfico do pop moderno, unindo a precisão asiática com o apelo do mercado ocidental.

    GIRLSET (VCHA): A Conexão Leste-Oeste
    Nascido originalmente com o nome VCHA, o agora reformulado GIRLSET é a grande aposta da JYP Entertainment (uma das maiores empresas da Coreia)em parceria com a americana Republic Records. Formado no reality show A2K (America 2 Korea), o grupo tem base em Los Angeles e reúne integrantes norte-americanas de diversas origens étnicas. O projeto nasceu focado em traduzir a engrenagem dos idols asiáticos diretamente para o público ocidental.

     

    Santos Bravos: A Revolução com Sabor Latino
    A expansão desse modelo de negócios chegou com força à América Latina por meio do Santos Bravos, a boyband formada pela divisão latina da HYBE. O grupo se destaca por misturar as coreografias milimetricamente ensaiadas com a energia e os ritmos latinos. O quinteto traz uma forte conexão com o público brasileiro graças ao integrante Kauê Penna (vencedor do The Voice Kids em 2020), que divide os vocais em espanhol e português com jovens do Peru, Estados Unidos, Porto Rico e México. O grupo já tem arrastado multidões e mostrado a força da união latina no cenário global.

    Saint Satine: O Novo Fenômeno com DNA Brasileiro
    A mais nova aposta desse mercado e que já nasce sob os holofotes é o Saint Satine. Anunciado oficialmente pela HYBE este mês (maio de 2026), o grupo multicultural também inclui o Brasil no mapa do pop global ao trazer na sua formação oficial a brasileira Samara Siqueira. Dividindo o palco com talentos da Suécia, Japão e Estados Unidos, o grupo é o exemplo mais recente de que as grandes gravadoras enxergam a mistura cultural não mais como um experimento, mas como uma estratégia vencedora para alcançar o topo das paradas mundiais.

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