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    A ascensão (sem sinal de queda) da produtora A24

     

    O empreendimento que se tornou quase uma seita, sendo admirada e colecionando fãs que aguardam ansiosamente pelos novos projetos.

    A ascensão (sem sinal de queda) da produtora A24

     

    O empreendimento que se tornou quase uma seita, sendo admirada e colecionando fãs que aguardam ansiosamente pelos novos projetos.

    POR Vinicius Alencar

    Até muito recentemente era comum ouvir: vou assistir um filme pela atriz X, vou ver uma série porque adoro o trabalho do diretor Y… Mas nos últimos tempos, você deve ter ouvido “assista isso porque é a nova produção da A24” – e, às vezes, isso não é dito só pelo seu amigo que usa ecobag azul bic da MUBI e atualiza com frequência o Letterboxd. A produtora A24 se tornou quase uma seita, com discípulos e admiradores que anseiam pelos seus próximos projetos, sem se apegarem propriamente ao nome dos atores, diretores ou roteiristas envolvidos.

    Tudo começou oficialmente em 2012, David Katz era um executivo de Wall Street, e David Fenkel e John Hodges, produtores independentes. O desejo era dar visibilidade a títulos que não eram compreendidos ou notados e ficavam estagnados em um nicho pouco frequentado, sem ser pelos geeks, nerds ou obcecados pelo cinema.

    A primeira aquisição já dava pistas de como o trio enxergava o mundo e com quem – e como – queriam se comunicar: Spring Breakers (2013) de Harmony Korine. E a ascensão foi e segue em alta velocidade, na sequência vieram outros títulos, dentre eles Bling Ring de Sofia Coppola. No ano seguinte, o eroticamente visual e provocante  Sob a Pele de Jonathan Glazer – outro exemplo que ilustra o olhar afiado da produtora.

    Enquanto a indústria seguia por um caminho bem tradicional e, por vezes, sem graça, a A24 ia se aventurando em outros formatos, como criar campanhas em apps como Tinder para despertar a curiosidade de Ex Machina (2014). Outro ponto decisivo: a linha de merchs dos filmes e séries que, até então, era incomum no segmento, o que fez com que a A24 se aproximasse da música e até mesmo da moda, uma vez que o comportamento de consumo da geração atual é pautado por comprar tudo o que está relacionado às suas obsessões e recentes descobertas.
    A Bruxa (2015) foi outra produção que fez a bolha ir aumentando, seguida por O Lagosta (2015) e O Sacrifício do Cervo Sagrado (2017) de Yorgos Lanthimos, Moonlight (sim, a produção mais barata a conquistar um Oscar), Lady Bird, Mid90s, Clímax, o já cult Hereditário (2018) e, talvez, o mais pop da sua extensa lista Midsommar (2019), colocaram o empreendimento em um lugar único e a fizeram terminar os anos 2010 completamente fora da curva.

    Na virada de 2010 para 2020, o reconhecimento pop – muitos concordando ou discordando – se deu com Euphoria (2019), série que revelou talentos, influenciou esteticamente e foi um sopro de hedonismo num mundo pré-pandêmico. Com a chegada da nova década, uma parceria com a Apple assinada e um apelo comercial muito assertivo, a A24 tinha um desafio: se manter relevante, especialmente entre os que a questionavam para além do hype.

    E o tempo – e os títulos – têm mostrado que eles estão conseguindo: a trilogia de Ty West estrelada por Mia Goth, o premiado Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, o divertido slasher Morte Morte Morte, Aftersun, o emocionante Close, Vidas Passadas, Priscilla, Zona de Interesse e o aguardado Queer, que acaba de ganhar trailer; mostram que o interesse único e os fãs aficionados pela A24 se mantém por conseguirem o equilíbrio perfeito entre produções que não seriam aceitas por outras produtoras e a inteligência e sensibilidade de conseguirem divulgá-las sem descaracterizá-las.

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