A Versace, atualmente parte do grupo Prada, anunciou nessa quinta-feira, 5, o estilista Pieter Mulier como novo CCO (Chief Creative Officer), ou seja, seu novo diretor criativo. Desde sua saída da Alaïa, o anunciou já era aguardado.
Assim que o Grupo Prada concluiu a aquisição da Versace, o movimento seguinte foi quase imediato: dois dias depois, Dario Vitale deixava o posto de diretor criativo. Um desligamento rápido, que soou menos como surpresa e mais como correção de rota. Com uma saída turbulenta da Miu Miu e sem conquistar o público à frente da Versace, Vitale se viu em uma posição delicada — e o mercado não costuma esperar.
Não demorou para que os rumores começassem a circular, e alguns nomes surgiram como apostas naturais. Entre eles, um em especial fazia sentido desde o início: do belga Pieter Mulier. A confirmação veio hoje, 5. A Versace confirmou que ele inicia no dia oficialmente no dia 1º de julho. No entanto, sem confirmar quando a primeira coleção será apresentada, embora a expectativa seja para setembro, na Milão Fashion Week.
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Para quem acompanha moda de perto, Mulier não é exatamente um nome novo. Começou como estagiário na Raf Simons no início dos anos 2000 e rapidamente se tornou o braço direito do estilista – primeiro na Jil Sander, depois na Dior. Quando Raf assumiu a Calvin Klein, em 2016, foi Mulier quem ficou responsável pela linha feminina, oficialmente como diretor de design. O turning point? Sua entrada na Alaïa em 2021, transformando a marca fundada por Azzedine em uma das mais desejadas e sofisticadas da atualidade.
Trajetória e carreira
Formado em arquitetura pelo Institut Saint-Luc, em Bruxelas, escola que revelou uma geração potente de artistas visuais, Mulier compartilha com Raf não só o rigor estrutural, mas uma forma muito específica de pensar moda: precisa, intelectual e cerebral. Raf estudou design industrial; Mulier, arquitetura. O diálogo entre os dois sempre foi claro.
Dizer que há “dedo do Raf” nessa escolha parece quase inevitável. A pergunta agora é outra: o que essa nomeação sinaliza para a Versace dentro do Grupo Prada? E também: como Mulier irá traduzir esse legado maximalista à sua própria linguagem?