Para Karl Lagerfeld, o papel era o verdadeiro ponto de partida de todo o universo estético. Ele costumava afirmar que desenhar era como respirar, uma necessidade diária que alimentava sua mente incansável.
Agora, uma coleção arrebatadora contendo mais de mil croquis de moda e registros visuais nunca antes vistos pelo público geral está sendo revelada em Paris. Assim, oferecendo uma imersão sem precedentes nos bastidores do homem que comandou impérios como Chanel e Fendi.

As ilustrações que vêm a público traçam uma linha do tempo fascinante que atravessa cinco décadas de história da indumentária, começando nos anos 1970. Longe de serem apenas esboços técnicos para as costureiras, os desenhos funcionavam como um diário de referências visuais e artísticas do “Kaiser”. Aliás, o arquivo pessoal inclui desde estudos detalhados de silhuetas e novos caimentos até desenhos satíricos carregados de humor ácido.
Materiais diferentes
Chama a atenção o uso livre de materiais não convencionais na produção das imagens. Lagerfeld frequentemente misturava canetas hidrográficas, aquarelas e até mesmo sombras de olhos de marcas de cosméticos famosas para dar texturas e tonalidades exatas às suas criações no papel. Muitas peças trazem anotações manuscritas marginais que revelam o humor e as fontes de inspiração imediatas do mestre, segundo o WWD.

No entanto, a exibição revela também o lado colecionador e meticuloso do designer fora das passarelas. Ao lado dos papéis, figuram seus famosos tocadores digitais de música e mobiliários raros de Art Déco. Ademais, o impacto cultural desses desenhos é tão grande que trabalhos similares foram para uma exposição recentemente em grandes museus de Nova York.