União Europeia proíbe destruição de roupas não vendidas e pressiona a moda a rever seus excessos
Nova regra entra em vigor em 2026 e mira em reduzir desperdício, emissões de CO2 e estimular economia circular na indústria têxtil.
União Europeia proíbe destruição de roupas não vendidas e pressiona a moda a rever seus excessos
Nova regra entra em vigor em 2026 e mira em reduzir desperdício, emissões de CO2 e estimular economia circular na indústria têxtil.
A União Europeia aprovou uma medida histórica no enfrentamento dos impactos da indústria da moda: a partir de julho de 2026, grandes marcas e empresas de fast fashion estão proibidas de destruir roupas, calçados e acessórios não vendidos, regra que será estendida também para médias e pequenas empresas a partir de 2030. A medida faz parte do regulamento Ecodesign for Sustainable Products (ESPR), que estabelece critérios mais rígidos de durabilidade, reaproveitamento e redução da pegada ambiental dos produtos.
O movimento mira uma prática silenciosa, mas recorrente no setor. Segundo a Comissão Europeia, entre 4% e 9% de tudo o que é produzido pela indústria têxtil nunca chega a ser usado, e acaba incinerado ou descartado. Esse processo, sozinho, gera cerca de 5,6 milhões de toneladas de CO₂ por ano, além de resíduos que seguem para aterros ou liberam poluentes na atmosfera.
Nova regra vale para todas
E não são apenas as marcas de fast fashion que terão que se adaptar. Marcas de luxo, conhecidas por destruir estoques e materiais para preservar a exclusividade – como Louis Vuitton e Gucci – também entram na regra. A partir da nova legislação, as empresas precisarão não só interromper a prática, mas também divulgar relatórios padronizados com dados sobre descarte, volumes e justificativas. A destruição de produtos só será permitida em casos específicos, como questões de segurança ou danos às peças.
Brasil ainda sem regras específicas
No Brasil, ainda não existe uma proibição específica para a destruição de estoques, apesar da Política Nacional de Resíduos Sólidos (2010) estabelecer diretrizes sobre responsabilidade ambiental. Algumas marcas nacionais já adotam iniciativas de revenda, doação e reciclagem, como a Reserva com a Reserva Circular que investe na coleta e redistribuição de peças usadas. Mas ainda assim, essas práticas são limitadas, e o setor continua engolido pelo consumo rápido.
Embora a regulamentação seja válida apenas na Europa, o debate já ecoa globalmente. Com a nova medida, o setor passa a acelerar ações pautadas na economia circular, como revenda, reciclagem e reaproveitamento de materiais, adotando uma visão mais estratégica sobre o ciclo de vida das peças, uma vez que, mais do que criar, a indústria agora precisa repensar o destino do que sobra.