Meio space rock, meio industrial, meio nu metal: o novo álbum mediano dos Klaxons

25/08/2010

por | Cultura Pop

klaxonssurfingthevoidCapa de “Surfing The Void”, segundo disco dos Klaxons ©Divulgação

A história dos Klaxons é bem parecida com a de outra banda alternativa, o MGMT. Ambas surgiram em 2005 e representaram de alguma forma um movimento colorido, pop e dançante. Se nos EUA o MGMT era psicodélico, do outro lado do oceano os Klaxons levantavam a bandeira do movimento new rave com figurinos extravagantes, glow-sticks e punk dançante.

Com “Surfing The Void” (Polydor Records), Jamie Reynolds, James Righton e Simon Taylor passam pelo teste do segundo álbum: alcançar as expectativas de sua gravadora, resgatar seus fãs _cuja memória é curta e só dura até a próxima “banda da semana” indicada pela NME_ e agradar aos críticos.

“Echoes”, o primeiro single remete à sonoridade de “Myths Of The Near Future”, uma variação do mesmo tema _só que em outro formato. A busca por novas fórmulas é perceptível ao longo das 10 faixas _uma nuvem de rock industrial, crédito do produtor Ross Robinson, que trabalhou com bandas de nu-metal como Korn, Limp Bizkit e Linkin Park. Destaque para a explosão dance-punk em “Surfing The Void” e a pesada “Flashover”. Já “Venusia” e “Extra Astronomical” misturam space-rock com um perfume psicodélico.

Fato: ao longo de 38 minutos, “Surfing The Void” não causa o mesmo espanto do disco anterior. Mas não foi a qualidade da música que mudou, e sim o ineditismo dela. O mérito _e obrigação_ da banda é  buscar novos horizontes. Nesse quesito, eles podem voltar para casa de consciência tranquila.

Site oficial: klaxons.net

Myspace: myspace.com/klaxons

Facebook: facebook.com/klaxons

Fuck Buttons em SP: uma experiência barulhenta e sensorial

13/08/2010

por | Cultura Pop

fuckbuttons_005Fuck Buttons no MIS, em SP: experiencia sensorial ©Juliana Knobel/FFW

Rolou nesta quinta-feira (12/08) a apresentação dos Fuck Buttons no pequeno auditório do Museu da Imagem e do Som, o MIS, em São Paulo. Trazidos dentro do festiva ROJO®NOVA, a dupla de Bristol, Inglaterra, tocou para cerca de 100 pessoas em uma sala escura, sem projeções ou vídeos, sem vocais, sem banda, apenas mesas de som e um abajur.

Assistir a um live tão enérgico preso numa cadeira foi quase uma experiência espiritual _a qual cada pessoa na plateia reagiu de uma forma diferente. Ao longo do set de exatamente 1 hora de duração um fã parecia em transe, outros dançavam sentados, alguns conversaram, ou levantaram para dançar nos corredores. Além dos que foram embora no meio da apresentação.

Musicalmente, nada é reconhecível o suficiente para captar a atenção do ouvinte. Camadas e texturas industriais, sujas, tocadas no limite do suportável pelos ouvidos (foram distribuídos protetores auriculares na entrada) com inserts de vozes, muito reverb e percussões ao vivo. Mas nenhuma melodia rica _nem mesmo em relação a outras bandas “barulhentas” como Mogwai e Animal Collective. Pode não ter sido o show mais representativo do grupo, mas para quem esteve lá, certamente será difícil de esquecer.

O Fuck Buttons se apresentam novamente em São Paulo neste sábado, (14/08), na Choperia do SESC Pompeia.

+ Site oficial: fuckbuttons.co.uk

+ Myspace: myspace.com/fuckbuttons

FFW resenha: “A Origem” é o filme “pipoca” de 2010

06/08/2010

por | Cultura Pop

Dirigido por Christopher Nolan, “Inception” (traduzido “A Origem”), que estreia nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira (06/08), esteve envolto em mistério, expectativa e marketing mesmo antes das críticas saírem. O título, que esteve nos trending topics do Twitter pelas últimas quatro semanas, já arrecadou 200 milhões de dólares em ingressos e acumula chances de indicações ao Oscar.

A ideia é pretensiosa: Cobb (Leonardo Dicaprio) é um especialista em roubar ideias através de sonhos criados artificialmente por ele e sua equipe. Seu cliente, Saito (Ken Watanabe), deseja o contrário, implantar uma ideia que derrubará o império industrial do seu inimigo.

Quase metade dos 148 minutos do filme _cujo roteiro foi escrito por Nolan_ é gasto com diálogos para explicar o conceito de sonhos dentro de sonhos, mudanças de percepção de tempo e arquitetura do subconsciente. Mas Nolan não é estreante nessa seara, tendo criado filmes “confusos” como “Amnésia” e “Insônia”.

Mas o melhor de “A Origem” vem da experiência de Nolan em “Batman: O Cavaleiro Das Trevas”, lançado em 2008. Longas cenas de luta em gravidade zero, explosões, uma cidade inteira se dobrando em dois, uma contagem regressiva de deixar a plateia na ponta do assento, a edição frenética e a trilha sonora retumbante criada por Hans Zimmer toda em cima de “Je Ne Regrette Rien”, da Edith Piaf.

Por falar em Piaf, um dos personagens centrais na trama é interpretado por Marion Cotillard, que ganhou o Oscar por “Piaf: Um Hino Ao Amor”. Ela é Mal, muito semelhante à esposa fúnebre de Dicaprio em “Ilha do Medo”, de Martin Scorcese. O elenco é esforçado, mas os personagens são pouco profundos. Joseph Gordon Levitt e Ellen Page e seus personagens são muito limitados e sem emoção.

“A Origem” está mais para “Missão: Impossível” do que para “2001: Uma Odisseia no Espaço”. Pode não estar a altura da sua pretensão _não é nem de longe tão complexo, cheio de camadas e níveis quanto a ideia inicial que o amarra_ mas é tão bem feito quanto um blockbuster pipoca pode (e deve) ser.

+ Site oficial: inceptionmovie.warnerbros.com

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Arcade Fire emociona, mas não inova no álbum “The Suburbs”

04/08/2010

por | Cultura Pop

Arcade-Fire-The-SuburbsDesde o seu vazamento na última semana, a crítica de rock não fala em outra coisa a não ser o disco “The Suburbs”, o terceiro da banda canadense Arcade Fire.

Muito antecipado, ele sucede o não muito bem recebido “Neon Bible” _e levou a mídia especializada a um frenesi, coroado por uma resenha da BBC afirmando que o lançamento seria melhor que o clássico “OK Computer”, do Radiohead.

Antes de traçar comparativos, “Suburbs” é um disco sobre melancolia: feito por artistas melancólicos para pessoas melancólicas. O vocalista Win Butler e seu irmão, William, falam principalmente dos sentimentos de dois adolescentes deslocados, que cresceram nos subúrbios cinzentos do Texas, nos Estados Unidos.

É a mesma qualidade de grandes momentos do rock. “Pornography”, do The Cure, “Ok Computer”, do Radiohead, e “The Queen Is Dead”, dos Smiths. Assim como nos exemplos citados acima, o público do Arcade Fire tem um culto de identificação com a tristeza da banda.

Por outro lado, a intenção poética do grupo é a de fazer um álbum grandioso e conceitual, um “Viva La Vida”, do Coldplay ou “Joshua Tree”, do U2. Canções como divididas em fases, I e II, como “Half Light” “Sprawl”, mostram que a banda não abandonou suas pretensões conceituais.

“Rococo” – Arcade Fire

“The Suburbs” – Arcade Fire

Musicalmente (em termos de arranjos e execução), o disco não é inovador, e sim nostálgico: bebe na fonte do pós-punk (“Month Of May”), do progressivo (“Deep Blue”) e do folk-rock setentista (“Modern Man”). Apesar de longo (63 minutos), o álbum é cheio de bons momentos. “The Suburbs”, que abre o disco, dá o tom apaixonado e triste, já “Rococó” e “Empty Room” resgatam as influências clássicas, violinos e harmonias vocais que fizeram sucesso no primeiro disco, “Funeral”.  Destacam-se também “We Used To Wait” e “Deep Blue”.

É _indiscutivelmente_ um grande disco, mas que deve perder o brilho com os anos, criado mais pela paixão do público do que pelo pioneirismo musical da banda.

+ Site oficial: arcadefire.com.br

+ Myspace: myspace.com/arcadefire

+ Twitter: twitter.com/arcadefire