FFW_MAG

Futebol Bossa Nossa

18/11/2013

por | Revista

ffw Mag! número 35 – “Futebol Bossa Nossa”

Gol, quase gol, gol perdido, gol de placa, gol de letra, gol de bico, gol de bicicleta, gol olímpico, gol de canela, gol contra, gol de cabeça, gol de falta, gol de barriga, gol impedido, gol anulado, gol de pênalti, gol de mão, gol de voleio, gol bonito, gol feio, gol, gol, gol, goooooooooooool… Não importa o jeito, brasileiro adora gritar gol. E ffwMAG! dribla o tempo, antecipa 2014 e, com o exigido “padrão Fifa”, faz esta homenagem ao futebol – esporte que tomamos dos ingleses e transformamos em grande paixão nacional. Como antropófagos, comemoraria Oswald de Andrade, deglutimos a forma importada e produzimos algo genuinamente brasileiro: o futebol-arte, com ginga e malemolência só nossas. Sim, “somos a pátria de chuteiras”. Sim, somos “milhões em ação, ligados na mesma emoção”. Sim, gastamos demais com a construção dos estádios para a Copa do Mundo. Se Lima Barreto, inimigo feroz da bola, ainda estivesse por aqui, bufaria de indignação: “Não acredito que um jogo de bola e, sobretudo jogado com os pés, seja capaz de inspirar paixões e ódios”. O escritor, lá no início do século 20, chegou a criar a Liga Anti-Futebol. Para ele, esse esporte seria um jogo brutal e sem sentido, que deseducava as pessoas e favorecia o racismo. Vale lembrar: as primeiras equipes brasileiras, com exceção do Vasco da Gama, não permitiam jogadores negros. Do outro lado do campo, na contramão do pensamento de Lima Barreto, estava outro escritor, Coelho Neto, que acreditava que o futebol “ajudava a formar uma sociedade na qual os homens, qual os esportistas, fossem adestrados pelo exercício físico, criando um tempo de paz e de harmonia e abrindo o peito para valores nobres de confraternização e integração social”. Como se vê, esse debate quente sobre o papel positivo ou negativo do futebol na sociedade brasileira vem de longe e, mesmo caduco, não morreu de velho. Ainda hoje, há quem siga xingando o esporte. Mas deixemos essa briga para quem é de briga e vamos ao que interessa aqui: o futebol como circo, o futebol como manifestação cultural, o futebol como paixão, o futebol como esporte global, o futebol como entretenimento, o futebol como arte. Entre os assuntos que escalamos para esta edição suada de ffwMAG!, resgatamos a história do jogo entre as piores seleções do mundo: Butão x Montserrat; conversamos com colecionadores de camisas de times de futebol; viajamos até a África com a fotógrafa Jessica Hilltout; espiamos os vestiários para desvendar a vida sexual dos jogadores; percorremos o bairro da Mooca, em São Paulo, onde está a sede do Clube Atlético Juventus; batemos bola com as meninas da categoria de base do Centro Olímpico; fomos até Manaus, onde acontece “o maior campeonato de peladas do planeta”; e, aos 45 minutos do segundo tempo, o deputado federal Romário e o zagueiro Paulo André, do Corinthians, apareceram para falar sobre os bastidores do futebol brasileiro. Com jogada de mestre dos craques Paulo Martinez e Heleno Manoel, os ensaios de moda – fotografados por Cristiano Madureira, Nicole Heiniger e Fabio Bartelt – são poemas, bailados de pés, instantes lúdicos inspirados no tema da edição. É só ocupar o seu lugar na arquibancada que a bola já vai rolar.

Paulo Borges
Publisher

Como comprar? A partir desta edição, a venda será feita exclusivamente nas lojas da Livraria Cultura e também em sua loja virtual.

 

Amor e Outras Artes

05/07/2013

por | Revista

ffw Mag! número 34 – Amor e Outras Artes

Em tempos bicudos de avanço da intolerância no país, a edição 34 da ffwMAG! elege o amor como resposta, saída, diálogo, intervenção, tema central da revista. Não só o amor, mas o amor muito bem acompanhado pela arte.
Contra a truculência dos patrulhadores da vida alheia, contra a repressão que assombra cada vez mais as liberdades, contra a falácia de felicianos e outras cambadas que tentam tolher os direitos civis de milhares de pessoas, revidamos com amor e arte: duas formas de expressão capazes de transformar o indivíduo, o meio por onde ele transita, o mundo.
É o amor que inspira o editor de moda Paulo Martinez, que apresenta as coleções para o Verão 2014 em três ensaios que celebram todas as possibilidades de romance: heteroafetivo, homoafetivo, viva a diversidade! As fotos são de Fabio Bartelt, Nicole Heiniger e Gustavo Zylbersztajn.
É o amor que move o artista plástico Ernesto Neto. Veja só: ele se casou dentro de uma obra de arte. O fotógrafo Murillo Meirelles e a escritora Luciana Pessanha estavam lá e registraram tudo.
É o amor que valoriza ainda mais a arte do venezuelano Alfredo Cortina. Ao longo de muitos e muitos e muitos anos, ele dedicou seu olhar à mulher amada, fotografando-a com obsessão em diferentes lugares e situações. É o amor que leva a cada semana centenas de mulheres apaixonadas a esperar até 30 horas do lado de fora do Cadeião de Pinheiros para rever maridos e namorados encarcerados no pior presídio de São Paulo.
É o amor que embala as canções exageradamente sentimentais de ícones da música brega, como Waldick Soriano, Odair José, Lindomar Castilho, Reginaldo Rossi e Wando.
É o amor que movimenta artistas e ativistas em busca de ideias e atitudes que possam mudar a sociedade: “Todo ser em movimento/ é perigoso / todo ser que se transforma / incomoda”, escreveu o poeta Paulo Leminski.
É o amor que marca os atuais momentos da artista plástica Adriana Varejão, grávida e linda nas páginas desta ffwMAG!, e da cantora e compositora Clarice Falcão, a grande novidade da música pop brasileira.
É o amor que faz dos ateliês dos artistas lugares sagrados, onde Paulo Pasta, Iran do Espírito Santo, Stephan Doitschinoff e Talita Hoffmann se isolam do mundo para reinventá-lo com outras cores, texturas, indagações.
É o amor ingênuo da infância que vemos nas definições de crianças colombianas para palavras como adulto, céu, sexo, morte, eternidade ou violência: “Parte má da paz”.
Ao discutir qual seria o tema desta edição, uns preferiam amor; outros, arte. Optamos por juntar os dois assuntos e transformar esta ffwMAG! em uma declaração de amor à arte, manifestação de toda forma de amor.
Ame muito. Ame sem moderação. Amar não tem contraindicação.

Paulo Borges
Publisher

Moda + Design + Redesenho: veja os ensaios da ffw_MAG! #31

19/09/2012

por | Sem categoria

Design é, acima de tudo, um “redesenho”, uma nova maneira de reconstruir o mundo – e, assim, claro, torná-lo mais bonito, acessível e, especialmente, mais justo.

Descubra o Brasil da diversidade, de todos os estilos, de todos os designs, de todas as suas identidades nos editoriais de moda da edição 31 da ffw_MAG! – (clique nas imagens para abri-las em tamanho maior)

ffw>>mag! #31

22/08/2012

por | Revista

ROSENBAUM E O REDESENHO DO BRASIL

Nós da ffwMag! adoramos design. Em números anteriores, publicamos reportagens e ensaios visuais de grandes nomes como Jeroen Verhoeven; uma seleção de talentosos designers na edição Holanda; uma revista inteira dedicada à questão artesanal x tecnológico; e um material sobre Design for the other 90%, o impressionante projeto que viabiliza soluções para aqueles que mais precisam de ajuda no mundo. Mas tudo isso era somente um aquecimento para essa ffwMag! que você lê agora. Finalmente, temos a oportunidade e o espaço necessários para defendermos aquilo que sempre repetimos quando esse é o assunto. Para nós, o design não é apenas a cadeira, o abajur, o objeto em si. Design é, acima de tudo, um “redesenho”, uma nova maneira de reconstruir o mundo – e, assim, claro, torná-lo mais bonito, acessível e, especialmente, mais justo.

Ninguém no Brasil seria melhor para transformar essa nossa defesa em uma revista inteira do que Marcelo Rosenbaum. Talentoso como poucos, o designer, que começou no mundo da moda, é hoje um grande agregador. Usando sua fama vinda da televisão a favor de seus projetos sociais, Rosenbaum vem fazendo história com iniciativas como o A Gente Transforma, um projeto que conecta o Brasil às suas técnicas mais antigas e, assim, cria um novo caminho para nosso design. Esse homem polivalente não hesitou em aceitar nossa proposta em ser uma espécie de editor convidado dessa edição. Rosenbaum não só sugeriu grande parte dos temas, ele também nos inspirou muito com sua energia contagiante. Quando a equipe da revista o encontrou pela primeira vez, ele de cara lançou o norte da revista:

“No Brasil, somos privilegiados. A solução de nossos problemas está aqui mesmo. Já temos uma cultura incrível, multifacetada, repleta de técnicas únicas. Só precisamos catalisar esse potencial.”

Olhar para nós mesmos. Assim como fizeram os modernistas na Semana de 1922; como fazem os africanos de Moçambique em uma de nossas matérias; como pregou com tamanha persistência uma de nossas homenageadas, a designer Janete Costa, defensora do artesanato brasileiro como elemento principal de nossa decoração; e como fez Geovani Melo, o ex-traficante Cabelo, ao olhar com novos olhos para sua própria vida.

Entretanto, para nós, olhar para dentro não necessariamente é nos ater ao próprio umbigo. É tratar o Brasil muito além do que apenas um país. Podemos ser (e caminhamos para isso) um novo modelo para o mundo. E foi pensando para além de nossas proporções continentais que refletimos sobre nós mesmo olhando também para fora. Alguns exemplos disso: o pesquisador português Frederico Duarte nos responde com propriedade questões fundamentais sobre nosso design; os ingleses Azusa Murakami e Alexander Groves analisam a cidade de São Paulo de uma maneira que nativo nenhum seria capaz; o colorido tropical do pessoal do Populardelujo nos lembra como é divertido ser latino-americano; e o pensamento pioneiro do Food Design transforma nossa relação com a comida (temos certeza que, após conhecer esse projeto, você nunca mais vai ver um pãozinho da mesma maneira).

Mas, antes de você começar a desfrutar esta edição, queremos retomar a ideia de Rosenbaum que também é a nossa: a de que design é mudança de vida. Pense com carinho nos dados da Associação Brasileira de Designers de Interiores. O mercado brasileiro de decoração movimenta 60 bilhões de reais por ano. Já o de artesanato, 57. Estamos falando de mais de 100 bilhões de reais anuais (sim, você leu certo!). Esse número fica ainda mais grandioso se pensarmos que, por trás de tantos zeros, há milhares de brasileiros.

Paulo Borges
Publisher

ffw>>mag! #30

25/04/2012

por | Revista

Costurando histórias

“O urbano é o que define, para o bem e para o mal, a civilização contemporânea”

Diante da proposta de receber uma homenagem desta revista, Costanza Pascolato foi enfática: “Prefiro olhar pra frente”. Portanto, o baú da família Pascolato foi deixado de lado pela oportunidade que a consultora de moda e matriarca da tecelagem Santaconstancia sentiu de homenagear a arte contemporânea mundial e a moda da atualidade. Entretanto, resta uma indagação: como fugir de um passado que envolve grandes estilistas e artistas com quem ela conviveu, seja profissionalmente ou por meio de seu brilho aristocrático.

“Tudo de melhor que me alimenta hoje em dia vem do mundo da arte; me fascina a liberdade que a arte teve em cada época da história: ser pioneira e colocar o dedinho no lugar para o qual, eventualmente, o mainstream não estava olhando”

Colocada diante do espelho da própria história, a ítalo-brasileira que aterrissou no Brasil em 1944, aos 4 anos, fugindo com os pais Michele e Gabriella da Segunda Guerra Mundial, costura histórias de ontem e de hoje mas sempre apontando para o futuro. Autoridade máxima da moda no Brasil, termos comuns que refletem bem a personalidade desta consultora de moda e escritora, Costanza indicou os artistas contemporâneos que mais despertam sua atenção e os novos estilistas que irão fazer a diferença. Além disso, como se não bastasse, nos brinda com lembranças deliciosas que vão de James Franco a Givenchy. Afinal, diante de tamanha elegância e humor, quem não cai nas graças de Costanza, olhando além de seus indefectíveis e inseparáveis óculos escuros?

“O que me interessa é o novo, ou então repetir uma fórmula antiga de uma maneira nova, mas que funcione para as necessidades do presente… Porque as tendências de mercado hoje se confundem com o comportamento. Vivemos em uma liberdade consumista e não digo que seja negativo… É o que é, e a gente se comunica assim”

Quanto ao conceito desta edição, Costanza acertou. Espécie de editora convidada, ela escolheu os temas das reportagens e ainda ilustra o ensaio de moda. Com ela, as tops Ana Claudia Michels e Carol Trentini, com participação especial de Mariana Weickert. O que se vê nas próximas páginas é a reafirmação de um traço de Costanza presentes nas mulheres de sua família. Elas sempre foram vanguardistas.

Paulo Borges
Publisher