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    “Se o luxo vem da Europa, o novo luxo vem do Brasil”, diz Oskar Metsavaht
    “Se o luxo vem da Europa, o novo luxo vem do Brasil”, diz Oskar Metsavaht
    POR Augusto Mariotti

    Por Flavia Brunetti, em colaboração para o FFW

    Oskar ao final do desfile da Osklen ©Marcelo Garnesh / Fotosite

    Hoje em dia falar sobre sustentabilidade virou moda. Mas, na moda, o que significa uma marca ser realmente sustentável? Ao comprarmos produtos que levantam essa bandeira, como saber se realmente os impactos causados ao meio ambiente estão sendo neutralizados? Para essas e outras respostas, o FFW conversou com um dos percursores desse movimento na moda no Brasil: Oskar Metsavaht, dono da Osklen, fundador/presidente do Instituto-e — organização não-governamental focada em promover os princípios do desenvolvimento humano sustentável –, voz ativa na UNESCO, cônsul honorário da República da Estônia (de onde vem sua família) no Rio de Janeiro e, também, maior garoto propaganda do Brazilian lifestyle.

    Com espírito empreendedor, ele mandou camisetas para serem dadas aos hóspedes do Hotel Fasano, no Rio de Janeiro, para divulgar ainda mais seu trabalho. Teve a sorte do brinde ir para nas mãos de Martina Hauser, especialista em análise de pegada de carbono do Ministério do Meio Ambiente, Terra e Mar (IMELS) da Itália, que moveu mundos até chegar ao estilista e apoiar suas ideias, criando uma parceria entre os dois países. Assim foi criado o projeto “Traces”, uma forma inovadora de cálculo da pegada de carbono e seus impactos socioambientais na indústria da moda.

    Após o desfile da Osklen, Oskar falou ao FFW sobre seus projetos sustentáveis, sua visão da moda global e a posição privilegiada do Brasil no mundo.

    Como nasceu o seu interesse por moda sustentável e como você desenvolve isso na prática?

    Na verdade eu percebi que havia um “gap”. Sustentabilidade antigamente era o que era feito por comunidades carentes e se comprava para ajudar, por caridade. Esqueceram de qualificar o design. Faltava uma gestão desse processo. E é isso que eu tento fazer: qualificar a mão de obra, promover o Brasil como uma referência em desenvolvimento sustentável. Compramos o trabalho dessas comunidades, damos condições para que esse trabalho tenha continuidade, para que não cause impactos ao meio ambiente e elevamos a capacidade de percepção do consumidor para o que realmente é luxo, o “novo luxo”. Chique mesmo é usar produtos sustentáveis.

    Por que tão poucos estilistas usam materiais sustentáveis?

    Acho que porque não é fácil A produção é muito limitada, não é uma coisa em larga escala e que atende a pedidos de pronta entrega. Por exemplo, a pele de um peixe de pirarucu às vezes não dá nem pra fazer uma bolsa. Há muito desperdício ainda. É um processo que dá trabalho, pois tem que se qualificar a mão de obra. E é caro.

    Mas o Instituto-e poderia assessorar essas marcas, não?

    Claro! O Instituto-e está lá para todos! Não é só para a Osklen. A Vicunha está lá agora desenvolvendo um jeans sustentável. Se uma marca investisse 1% em um viés sustentável, ela poderia estar ajudando 100% de uma ONG. No ano seguinte, poderia ser 2%, que representaria 200% para alguém. Nem que demorasse 100 anos para ela ser totalmente sustentável. Não é ser eco-chato. É planejamento, iniciar pequenos projetos, mudar aos poucos, mas mudar. Não entendo por que não há maior adesão.

    Você disse que a moda na Europa passou de “Nob” para “Snob”. O que significa isso?

    Analise comigo: por que a Louis Vuitton tem sucesso há anos? Porque ela sempre fez tudo à mão, preocupada com os detalhes, em entregar algo bem feito ao seu cliente, com qualidade. Isso é um ato nobre. Certas marcas de luxo na Europa se perderam nesse processo. Elas deixaram de ser elegantes para fazer branding. Hoje em dia as empresas instigam o consumo “por ter a marca”, porque é bacana ter aquilo, não pelo que aquilo significaria para o cliente. Por isso eu digo: se o luxo vem da Europa, o novo luxo vem do Brasil.

    Então isso é uma mudança de comportamento, certo? Hoje em dia vivemos no mundo das “it-girls”, “it-bags”…

    Mais ou menos. Se acharmos que o luxo e o cool é toda estação ter a “it bag”… O que eu estou falando aqui é uma linha de raciocínio, claro que há exceções nas marcas europeias de luxo. E não há nada de mal comprar essas bolsas caríssimas, se aquilo significar algo para você e se a marca for preocupada em entregar qualidade. Mas, acredite, não há nada mais contemporâneo do que você ver uma mulher com um produto em que o design é respeitado, a qualidade impecável, a estética universal e ainda o produto ser sustentável.

    Por isso que você disse que “comprar mais por menos” na China é algo datado e que a onda agora é o “Brazilian Soul”?

    Produzir na China, em enormes quantidades, é pra fast fashion. É para as marcas que não têm o cuidado com a produção de algo sustentável. Se o foco é sustentabilidade, esquece a China! American Dream? Quem hoje em dia quer aquela coisa do “I’m the Champion?”, “Eu sou o gostosão do mundo”, aquele stress e obsessão por vencer a todo custo. Hoje em dia está muito mais “in” ser cool, relax, na sua, feliz, saudável. Por isso o Brasil é sedutor. Nós somos assim. O gringo não vem aqui pra visitar galerias, como nós fazemos lá fora. Eles vêm pra andar de chinelo, usar a fitinha do Senhor do Bonfim, tomar água de coco na orla.

    E já que estamos falando de Brasil e nosso momento privilegiado no mercado, como será a sua participação no Rio +20?

    Na verdade, minha participação já começou essa semana. Foi uma reunião técnica junto à ONU, no Rio de Janeiro, com representantes de algumas cidades do mundo para o projeto “Oceans”, sobre a poluição dos oceanos e praias. E sábado, dia 16/06, entregaremos o “Prêmio-e”, quando reconheceremos iniciativas para o desenvolvimento socioambiental nos últimos 20 anos, em seis categorias, que nós chamamos os 6 “Es”: Earth, Energy, Economy, Education, Environment e Empowerment.

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