Tremaine Emory acusa Supreme de racismo sistemático
Em postagens no Instagram, o ex-diretor recomenda livro para entender o racismo e expõem conversas com o fundador da Supreme
Tremaine Emory acusa Supreme de racismo sistemático
Em postagens no Instagram, o ex-diretor recomenda livro para entender o racismo e expõem conversas com o fundador da Supreme
Ontem (30), foi anunciada a saída Tremaine Emory do cargo de direção criativa da Supreme. Emory entrou na marca em fevereiro de 2022 e havia lançado apenas duas coleções, até o momento, pela Supreme. O motivo até então desconhecido foi divulgado hoje (31) pelo diretor por meio de uma carta de resignação para a The Bussiness of Fashion e postagens em sua conta pessoal no Instagram.
O ex-diretor da marca nova-yorkina afirma que a estrutura da Supreme partia de uma ‘’racismo sistêmico’’ tendo como exemplo o cancelamento de sua coleção com o artista Arthur Jafa. “Isto me causou muita angústia, assim como a crença de que o racismo sistêmico estava em jogo dentro da estrutura do Supreme’’, afirma Emory na carta. Em entrevista recente com a revista Justmile, Emory já dava sinais de sua saída da Supreme, afirmando que instituições grandes só financiam artistas quando o lucro é maior que o investimento.
Em sua postagem no Instagram, Emory recomenda a leitura do livro Fragilidade branca: Por que é tão difícil para os brancos falarem sobre racismo? do escritor Robin DiAngelo, reconhecendo o racismo na própria marca em que trabalhava: ‘’Recomendo que vocês leiam este livro para uma melhor compreensão do que é o racismo sistêmico e como ele afeta pessoas de todas as cores que viver neste sistema patriarcal masculino branco que foi construído para beneficiar apenas homens heterossexuais brancos desde o início da América e ainda mais atrás no colonialismo europeu’’.

Emory também expõem conversas por meio de capturas de tela de DMs mostrando tentativas do ex-diretor em alinhar sua saída com a Supreme e debater o cancelamento do projeto com o Arthur Jafa com o fundador da Supreme, James Jebbia. Na legenda, Emory explica que o corte das imagens do projeto aconteceu via uma reclamação de um dos únicos funcionários negros da Supreme que alegava de uma “representação de homens negros sendo enforcados e o escravo libertado Gordon retratado com chicotes nas costas”.
Apesar disso, a Supreme nega qualquer tipo de cancelamento em relação a coleções e parcerias criadas pelo ex-diretor dizendo: “Embora levemos essas preocupações a sério, discordamos veementemente da caracterização de Tremaine sobre nossa empresa e do tratamento do projeto Arthur Jafa, que não foi cancelado”. A marca conclui o depoimento agradecendo Emory, mas não entra em nenhum mérito de racismo alegado pelo ex-diretor: “Esta foi a primeira vez em 30 anos que a empresa contratou um diretor criativo. Estamos desapontados por não ter funcionado com Tremaine e desejamos-lhe boa sorte no futuro.”