A nova exposição em Paris coloca Alaïa e Dior lado a lado como se fossem irmãos na alta-costura, conversando através de peças que atravessam décadas. Quando Azzedine Alaïa morreu, em 2017, ele deixou um arquivo monumental, não apenas de suas próprias criações, mas também de uma coleção de vintage que hoje funciona como cápsula do tempo! Assim, a Fundação Azzedine Alaïa transformou esse legado em narrativas visuais que aproximam o estilista dos mestres que o formaram. E, dessa vez, o diálogo ganha força, com ninguém mais, ninguém menos do que Christian Dior.
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Logo ao entrar na mostra, o visitante percebe como as peças funcionam como indivíduos dentro de uma mesma família estética. A exposição reúne cerca de 70 criações dos dois estilistas, todas provenientes do acervo de Alaïa, e ocupa o segundo capítulo da colaboração entre a fundação e a maison Dior. Além dessa mostra, mais de 100 peças aparecem também na Galerie Dior, ampliando o alcance do olhar sobre o fundador da maison.
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Ao longo da exposição, a narrativa evolui de forma orgânica. De acordo com o WWD, as equipes analisaram cada peça do arquivo, conectando vestidos e acessórios a seus equivalentes estéticos. Em seguida, identificaram como cada mestre moldou a silhueta feminina. Dessa forma, enquanto Dior apostava na cintura marcada por espartilhos, Alaïa preferia cintos largos que acentuavam de maneira escultural o corpo. Ambos, porém, trabalhavam a moda como arquitetura, destacando ombros, quadris e volumes.
A exposição começa com um vestido vermelho criado por Alaïa em 1958 e coloca ao lado um modelo de Dior de 1957. A semelhança entre os dois faz o visitante entender imediatamente o impacto do breve estágio do jovem Alaïa na maison. Uma experiência que durou poucos dias, mas guiou sua sensibilidade por toda a vida.
Além disso, a curadoria destaca o gosto dos dois pela estrutura. Entre corsets e bases internas, o segredo por trás do caimento impecável, que tanto fascinava Alaïa desde sua adolescência, é revelado aos poucos. Ao mesmo tempo, a mostra abraça o lado romântico de Dior, exibindo bordados, estampas e cores vibrantes ao lado de criações posteriores do estilista. Por fim, a exposição reforça que Alaïa internalizou a história da moda para depois reinventá-la. Suas peças têm voz própria, mas carregam a herança dos mestres que admirou.