Há vestidos de noiva que simbolizam um momento pessoal. Outros, mais raros, atravessam a história da moda. O modelo que Esther Marques usou em seu casamento pertence claramente ao segundo grupo. Criado pela Maison Alaïa, o vestido carrega um peso simbólico único: Esther foi a primeira e também a última brasileira a se casar com uma criação bridal da grife, assinada por Pieter Mulier em seu período final à frente da casa.
A peça marca a despedida de Mulier da Alaïa, antes de sua transição para a direção criativa da Versace, e inaugura um momento raro de abertura da maison. Pela primeira vez, a grife autorizou o registro midiático de um vestido de noiva. Até então, essas criações estavam fora de qualquer documentação pública, restritas a círculos extremamente privados.

Silhueta histórica
O vestido nasce a partir de uma silhueta histórica do arquivo da Alaïa, reinterpretada sob uma ótica contemporânea. Como explica a própria maison: “A referência não foi replicada, mas reinterpretada, preservando a precisão artesanal que define a alta-costura da Alaïa”. O resultado traduz os códigos da casa, arquitetura do corpo, sensualidade contida e rigor técnico, com leveza e elegância silenciosa.

O processo criativo durou cerca de um ano e envolveu uma colaboração próxima entre Esther, o stylist Pedro Sales e os ateliês parisienses. Houveram três croquis até a definição do desenho final, apresentado em agosto, com confecção iniciada em novembro.
120 metros de tecido
Ademais, do ponto de vista técnico, a peça impressiona: confeccionada em organza japonesa de excepcional leveza, utiliza 120 metros de tecido. Aliás, a parte superior, plissada à mão, contou com um trabalho que exigiu aproximadamente 430 horas e a dedicação direta de seis artesãos especializados.

No entanto, para Esther, o vestido reflete uma identificação profunda com a maison. “Sempre admirei a forma como a Alaïa traduz uma feminilidade forte e extremamente contemporânea”, afirma a noiva.