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    Apps, mulheres, pesquisa, arte: um papo rápido com Francisco Costa
    Apps, mulheres, pesquisa, arte: um papo rápido com Francisco Costa
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    O estilista Francisco Costa ©Reprodução

    Durante sua passagem por São Paulo, para participar do jantar da amfAR na casa do arquiteto Felipe Diniz, Francisco Costa bateu um papo rápido com a gente. No meio da conversa  ele encontrou com o diretor de arte Giovanni Bianco e com o CEO da Calvin Klein Inc, que esteve no Brasil pela primeira vez.  Simpático, tranquilo e sorridente, Costa fala misturando português e inglês: “Você se importa? Não gosto de fazer isso, é tão antipático, mas tem palavras que ficam mais fáceis em inglês”.

    Qual a sua relação com a internet? Frequenta rede social?

    Não, nada. Não fico muito online.

    Mas nem no iPad, no celular?

    Eu tenho iPad, adoro! Adoro fazer download de filmes.

    Quais são seus aplicativos favoritos?

    Tenho todos os de revista. E meu amigo me mostrou um desses que tira fotos fantásticas que eu também adorei.  Acabei de comprar um iPhone, pois antes eu usava o Blackberry. Quem sabe meu tempo online vai mudar agora com o iPhone. Essa terceira dimensão é inevitável…

    Como é a sua relação com a arte?

    Eu, junto com a Calvin Klein, faço muitas colaborações com esse universo, inclusive fiz um trabalho para o Whitney Museum em que eles me pediram para desenvolver uma história com três artistas: Vik Muniz, Ghada Amer e Billy Sullivan. Eu gosto muito de conviver com artistas, eles são como para-raios, têm uma sensibilidade mais forte, têm aquela energia, aquela visão.

    Você se considera um artista?

    Eu tenho sensibilidade, mas ser um artista… (pensa, tímido). É…, não. Acho que não.

    Suas coleções sempre apresentam materiais inovadores. Como é esse departamento de pesquisa na sua marca?

    Olha, eu tenho só uma assistente fazendo isso. O negócio é que eu adoro tecido, desde pequeno. Meus pais tinham uma fábrica de roupa infantil e eu ia com a minha mãe para a Fenit, era fantástico, uma coisa enorme. Tecido é fundamental e é uma das coisas que me dá mais prazer. Mas é uma pesquisa constante e eu trabalho diretamente com as fábricas, tenho uma ótima relação com elas, que estão espalhadas pelo Japão, Itália… Então para mim é uma coisa fácil, dou um telefonema, conversamos e partimos daí.

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    Pesquisa de materiais similares à pele no desfile de Outono-Inverno 2011 ©Reprodução

    E o que você está pesquisando agora?

    Agora estou fazendo o desenvolvimento de tecidos para a coleção de Inverno, que lança em novembro. Eu fiz uma pesquisa em que fotografei algumas ruas de Nova York, de East para West e o que saiu nas fotos é muito interessante, porque tanto o East Side quanto West Side são completamente simétricos. Por exemplo, tem uma igreja a dois blocos do rio, e de um lado e do outro é a mesma coisa, exatamente a dois blocos, só que do outro lado. Acabei descobrindo várias coisas, bueiros, fotografei todos esses elementos e estou desenvolvendo tecidos que tenham relação com aquilo, com texturas e grafismos presentes nessa coisa da cidade. É um trabalho de descobertas e pesquisas.

    Tem algum material que você não conseguiu desenvolver?

    Tem um que eu quero fazer, mas ainda não cheguei lá. É tipo um tecido de paraquedas, tem que ter aquela leveza que, quando você andasse, o tecido se movimentasse com você, criasse formas e volumes. Comecei a desenvolver com um pessoal do Japão, mas ainda não cheguei lá, porque tem que ser tão leve, tão leve, mas não pode ser transparente também, entendeu? É um trabalho gostoso, mas é a longo prazo.

    Quanto tempo leva da pesquisa a finalização?

    Seis meses.

    Como funciona o processo de casting para os seus desfiles? Qual perfil você procura?

    Tem a ver com o que a coleção vai mostrar, por exemplo, essa última foi bem baseada naquela época mod, anos 60, em Londres. Então as meninas tinham um frescor, uma fragilidade, uma sensação de descoberta, algo mais leve. O perfil da coleção precisava de modelos assim. E existe essa loucura de colocar garotas novíssimas, que nunca desfilaram antes… A gente tem que fechar exclusividade com várias, que nunca haviam aparecido em lugar nenhum. Na temporada passada foram seis que desfilaram com exclusividade e que eram realmente novas. Também gosto de ter outros perfis e não só garotinhas, pois minha cliente é mais velha. Agora, se aparece uma menina de 16 anos maravilhosa, é impossível não usá-la, entendeu? É uma coisa orgânica.

    Quais mulheres que não são modelos que você acha bonitas?

    Camilla Nickerson (45 anos, top stylist fixa da “Vogue” americana e “W”)  é fantástica, me inspira demais.  Lauren Hutton continua um super ícone nos EUA, porque ela tem essa coisa de independência. É muito diversa a forma como a gente vê a mulher hoje.

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    Camilla e Lauren: inspirações para Francisco Costa ©Reprodução

    Reveja o desfile de Outono-Inverno 2011 da Calvin Klein Collection

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