“Convido os representantes da América a retirarem suas máscaras de civilizados e pôr à mostra as suas tendências antropofágicas”, diz as entrelinhas instigantes assinadas por Flavio de Carvalho, em seu vertiginoso trabalho A Cidade do Homem Nu (em cartaz no MAM até 13/06).
Sob este pretexto, o jornalista Jackson Araújo, a coordenadora do Ziguezague Cristiane Machado, e o cantor Ney Matogrosso arremataram um animado papo em tom de conversa transversal: de um lado notórios transgressores de seus tempos e mundos, do outro, uma plateia atenta ao cardápio que aos poucos se descortinava. Da cabeça servida na bandeja no abre do vinil cannibalis do extinto Secos e Molhados – de um Ney atrevido, prestes a completar 70 anos, “mas com o corpinho de 30”, ao prato feito sem-cerimônia do boteco da esquina, a alegria enveredou-se como tempero indispensável aos moderadores.
“Não sofro mais”, deu de ombros o artista – “na verdade, nunca tive vocação para sofrer”, emendou. E logo soltou o seu riso alto e descontraído, tão contextualizado a atual edição do SPFW. E antes de sair de cena, fez um pedido ao público: “Vamos suscitar à antropofagia!”. Silêncio rompido pelos aplausos que encheram a sala de satisfação.