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    Editora de Viagens e Arte do WGSN fala da importância do “ser” sobre o “ter”
    Editora de Viagens e Arte do WGSN fala da importância do “ser” sobre o “ter”
    POR Camila Yahn

    Catrin Davies, editora de Arte e Viagens do WGSN, no Fashion Rio Inverno 2012 ©Juliana Knobel/FFW

    Catrin Davies, editora sênior do setor de Viagens e Arte do bureau de tendências WGSN, contou no sábado (14.01) ao FFW quais os caminhos da arte e das viagens para o próximo ano.

    A grande tendência identificada por Catrin no mercado da Arte e das Viagens é a de criar experiências, e não posse. O verdadeiro luxo deixou de estar relacionado com ter e passou a ser sobre ser; deixou de ser sobre itens exclusivos e passou a ser sobre experiências exclusivas. A arte, por sua vez, também precisa se renovar e criar novas formas de comunicação que atendam um consumidor cada vez mais exigente.

    No papo descontraído que batemos com a editora, aprofundamos mais estes temas, tão importantes para pautar a moda, a arte e todas as tendências culturais em geral.

    O que a traz ao Brasil para além do Fashion Rio?

    Nós temos um guia da cidade então estou vendo as lojas e os restaurantes, para recolher ideias de como fazer um update desse guia. Nós temos uma correspondente aqui no Rio, que é ótima, mas é sempre bom vir ver pessoalmente.

    Já tinha vindo ao Brasil?

    É a minha segunda vez no Rio. Estive aqui há cerca de três anos mas este é o meu primeiro Fashion Rio. Na verdade, desta vez, tive mais tempo para ver as coisas porque os desfiles começam mais tarde, o que facilita muito para fazer turismo de manhã.

    O que pensa do Rio de Janeiro? Viu muitas mudanças?

    Eu vi que as lojas multimarcas cresceram muito desde a última vez que estive aqui. É muito interessante ver as marcas brasileiras se misturarem com as internacionais. É muito bom. Ontem falei com um amigo que me disse que as marcas de roupa de praia internacionais não vendem no Rio. Todas as lojas a que eu já fui de roupa de praia só vendem marcas brasileiras. Eu acho isso muito interessante e muito patriota. Vocês realmente fazem a melhor roupa de praia. (risos)

    Como é trabalhar no WGSN?

    É um lugar fascinante de se trabalhar. A parte mais interessante é ver como as ideias e tendências se transformam em objetos reais, nas lojas, palpáveis. Isso é muito legal. É o melhor trabalho do mundo. Estou no Rio de Janeiro (risos). Tenho a oportunidade de viajar muito, estou sempre vendo arte contemporânea e trabalho com pessoas muito criativas. Não só fora mas no próprio escritório também, temos um ambiente de trabalho muito bom, onde todo mundo é convidado a partilhar as suas ideias.

    Qual vai ser a tendência de destinos?

    No início do ano sempre pensamos nessas coisas, o que vai ser novidade, o que pode ser interessante… Temos falado muito do Oriente Médio em termos de arte e de turismo. A ideia das pessoas de que Dubai, por exemplo, é um palácio de cristal sem nada dentro está mudando e as pessoas começam a ver o apelo do Oriente Médio.

    Eu vou sempre à Bienal de Veneza e esta última edição teve muita coisa vinda do Oriente Médio em geral, como tecidos, têxteis… e depois temos coisas que vêm de países específicos como o Uzbequistão ou o Azerbaijão, que são países difíceis de visitar mas muito inspiradores em termos de cores, combinações, tecidos… que inspiram uma viagem mais orientada para o consumo.

    Depois temos destinos como San Sebastian, no norte de Espanha, que já é famoso há algum tempo mas recentemente, devido à crise na Europa, tornou-se uma espécie de resort de luxo barato.

    Em termos das coisas que as pessoas querem e esperam da viagem, tem uma tendência bem interessante. Por causa da crise, as pessoas querem mais do dinheiro que gastam e então, em vez de procurarem viagens puras, procuram experiências únicas, por isso vemos muitos hotéis fazerem um “re-posicionamento” transformando-se em uma espécie de boutique, para que as pessoas sintam que foi bem gasto o seu dinheiro e que estão vivendo uma experiência interessante. Mesmo para as pessoas que viajam com um orçamento apertado, é importante apreciarem o design do hotel, os detalhes… Um pedido que temos muito hoje em dia é de apartamentos nos lugares. As pessoas querem passar tempo nas cidades, sentir-se parte do bairro, enfim, ter uma experiência. Alguns dos lugares que estão borbulhando nos Estados Unidos vão ser bons lugares para se viajar. Cidades do interior, pouco conhecidas, que ofereçam uma vivência única a um preço justo.

    A arte também precisa de se renovar e criar experiências?

    Claro. Acho que, inevitavelmente, as pessoas vão procurar também ter experiências pessoais na arte. Ir a uma exposição porque ela é em um lugar interessante; ter na exposição algo que interaja com as pessoas vai ser muito importante. Algo que fale com os vários elementos da vida dela. E que já agora faça uma campanha de marketing; não é por ser arte que não precisa!

    Como as parcerias dos designers de moda com os balés?

    Exatamente. Assim como muitas grifes estão com exposições. A Louis Vuitton, por exemplo, vai fazer uma exposição em Paris em março, a Louis Vuitton/Marc Jacobs, que vai ser muito interessante para mostrar as duas visões da mesma marca. Mas eu acabo sempre por achar que é uma ótima ideia do Marketing das marcas.

    Acha que o futuro das exposições é virtual, como se pensa de tantas outras áreas?

    Como o museu do Valentino, por exemplo, não é? Acho que é um ponto muito interessante para os curadores de galerias, os artistas, porque é uma nova plataforma para mostrar uma exposição e um artista. As pessoas já “vivem” online há mais de 10 anos e já se espera que as coisas sejam sempre via internet. Ou pelo menos que esse seja um dos meios principais. Em Londres por exemplo tivemos uma exposição do Leonardo da Vinci e pela primeira vez eles fizeram uma transmissão ao vivo da abertura, em plataformas digitas e também nos cinemas. É uma forma de usar a mídia digital para se comunicarem e acho que é muito interessante. Não acho que vá substituir a exposição física na galeria tradicional, pelo menos por enquanto. Mas é uma forma complementar que é muito importante que exista.

    O que o Brasil tem para oferecer ao mundo em termos de arte?

    A ARTRIO cada vez mais tem sido muito importante para nós. Este ano foi ótimo porque para nós é muito mais fácil saber onde está a arte na Europa do que na América Latina e sempre que temos algo de alguma outra parte do mundo é muito novo, interessante e refrescante.

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