Ele é um dos personagens mais festejados do carnaval baiano; mais que isso, a importância de Alberto Pitta na cena afro-brasileira é tanta que muitas das intervenções e evoluções dos blocos se devem a sua expertise. Com 30 anos de carreira – e com as antenas cada vez mais ligadas à brasilidade –, Alberto aprendeu arte na raça e saiu por aí destacando o seu traço cheio de estilo e entrelinhas. “Paulo Borges percebeu que a originalidade deste País é nata. Foi de novo pioneiro [e corajoso] ao propor que a animação tem a cara da Bahia”, diz.

Desde 1994, Pitta estreou no circuito do décor e foi responsável por ambientações nas casas de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Regina Casé, entre outros. Mas a tecelagem sempre esteve no topo das suas prioridades, tanto que ele levou para o Cortejo Afro, cria sua, a complexidade e sofisticação das estampas autorais gravadas em branco sobre branco. “A moda brasileira finalmente assumiu as suas raízes, sem vergonha de ser autêntica. O Brasil está na crista da onda, não há nenhum formador de opinião no planeta que não esteja de olho no que acontece aqui. Acredito que a moda deve ser entendida como uma espécie de artes plásticas aplicada ao corpo”, e completa: “Tenho certeza que ainda seremos os melhores”.

O discurso tem som de profecia, coisa comum na vida de um filho da terra, nascido num terreiro de candomblé, educado entre códigos e símbolos próprios. “Levo para as ruas um mix entre a modernidade e a tradição”. Verdade. Aos 12 anos, o Cortejo é a mais perfeita tradução dessa personalidade instigante e incansável.
Produção Lêda Villas Bôas