Entrevista Ana Pinho
O aviso vem do poderoso portal WGSN: “o novo consumidor está mais sofisticado do que nunca”. Para falar sobre este assunto e sobre as principais tendências e apostas da próxima temporada, o editor sênior de gráficos da sede de Londres, Chris Coleman, falou com exclusividade ao FFW.
Como é este novo consumidor?
Ele é muito informado, antenado com o que acontece. Não só com as tendências, mas também com economia, política… Ele quer uma voz, quer que as marcas respeitem sua opinião. É o que chamo de ponto de vista Facebook. A internet deu ao consumidor o poder de influenciar as marcas, e ele quer ter direitos, quer saber das estâncias políticas e éticas das marcas. Um exemplo importante é o interesse pelo carbon footprint das marcas, pelo meio ambiente. O novo consumidor, graças a internet, tem poder.
Das três macro-tendências apontadas pelo WGSN, com qual o novo consumidor se identifica mais?
A Your Space é um bom ponto de partida. Você se livra do que não precisa, as peças são multifuncionais, há muita tecnologia envolvida.
Qual o ponto forte da moda brasileira?
Gosto muito das cores, da energia brasileira. Sei que não é moda, mas também gosto muito da arte de rua de São Paulo.
Acha que esse “mundo virtual” se converterá num afastamento entre pessoas?
Não. Acho que a tecnologia vai deixar de ser pontual e tornar-se alguém sem fronteiras, tudo será tecnológico.
Na palestra, você falou da “estética do absurdo”. Quer dizer que não há mais preconceitos estéticos?
Um pouco. O mundo passa por períodos muito sérios e muito absurdos, e acabamos de sair de um período muito sério. Então as pessoas estão procurando um pouco de fantasia, de escapismo. O absurdo sempre terá um lugar, mas não vai prevalecer [risos].