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    Balanço: SXSW e a vanguarda da música, da tecnologia e cinema
    Balanço: SXSW e a vanguarda da música, da tecnologia e cinema
    POR Augusto Mariotti

    Por Helena Sasseron, em colaboração para o FFW

    Uma das ruas de Austin, tomada pelo SXSW  ©Helena Sasseron

    Foi-se o tempo em que o SXSW era um festival apenas de bandas “pequenas”. Não que elas não estejam mais presentes – pelo contrário, é nele que se apresentam as futuras “bandas do momento”. A diferença é que as bandas que já são do momento, ou que sempre foram, ou que nunca foram, mas têm importância, também tocam lá – e a sensação é de vitória. Porque sim, o South by Southwest é o festival mais importante para a indústria da música hoje!

    Passada a edição de 2012, deixo a minha visão mais pessoal falar um pouquinho:

    – 300 mil pessoas foram a Austin para o festival esse ano, contra 100 mil no ano passado (e 700 cadastrados em 1987, para a primeira edição, e 32 mil em 1994)

    – Aumentou o número de festas não oficiais (gratuitas) com line-up de shows tão bons quanto os das festas oficiais (badges only)

    – O que antes acontecia só ao redor da E 6th St está se espalhando consideravelmente para outras áreas

    – O Interactive (que não é bem a minha praia) está tomando proporções impressionantes

    – Há bons títulos, diretores e atores na parte de filmes do evento

    – O festival está começando a entrar na mira de grandes marcas. Nesta edição, a Nike criou uma loja temporária, mas que atendia apenas dois clientes de cada vez. As pessoas que faziam fila para comprar ou passavam por ali podiam se divertir com o imenso telão de LED, que mudava de cores e exibia imagens postadas no Instagram (vale lembrar que esse aplicativo foi divulgado pela primeira vez em uma das edições do SXSW)

    Ou seja, o SXSW é um festival gigante, pra onde você tem que ir se quiser ficar à frente do mundo em relação a essas três frentes que ele oferece: interatividade, filme e música. Vale lembrar que a própria organização do evento o apresenta como um festival de business, entendeu? Para ver e ser visto, ouvir, filtrar e aplicar, trocar cartão de visita, tocar com a sua banda para tentar fisgar um empresário ou gravadora, etc…

    Vasos de All Star! ©Helena Sasseron

    É uma andança para lá e para cá sem fim, não há sapatos confortáveis que aguentem. Explico: o festival acontece em praticamente todos os bares da região ali da S 6th st e proximidades, até a W 2nd st, que não é pouco, considerando-se o tamanho das quadras de Austin, que são bem largas. Muita coisa acontece ao mesmo tempo. Por isso dá uma sensação constante de estar perdendo algo – afinal, ninguém consegue ver 2 mil shows em cinco dias, ou se dividir em três ou mais. Sendo assim, o importante é focar e desapegar, para pelo menos aproveitar cada momento e fazer valer aquele show que você viu, ainda que dure só meia hora.

    Melhor show: Magnetic Fields

    Do que consegui ver, posso dizer que a Fiona Apple ainda é tudo aquilo: linda, talentosa, com uma voz impressionante e uma banda de chorar. Um pouco louca, mulher histérica, no bom sentido, mas que cativa e dá vontade de ir para casa e ouvir todos os discos de uma só vez. The Magnetic Fields é incrível no palco e faz toda a plateia ficar calada, sem nem pensar no próximo show para o qual precisa sair correndo se quiser assistir – arrisco dizer que foi o melhor show que vi até agora, em toda a vida.

    Alabama Snakes – Hold On

    Algumas bandas novas seguram a atenção também, como o Alabama Shakes, com o maravilhoso vocal da Brittany Howard e as lindas canções com pegada blues/rock, algumas vezes improvável. O The Shins foi bom, sem muita presença de palco – o disco me parece mais interessante do que a banda ao vivo. Teve o fun., banda nova, de gente nova, que meio sabe se colocar no palco, mas as músicas não são lá aquela coisa, não é o que mais gosto – e na plateia, muitas meninas (dava para perceber pelos gritos!).

    Banda do momento: Sleigh Bells

    O Sleigh Bells é de fato a banda mais “do momento”, um dos hits do festival, com show lotado e a cativante, às vezes exagerada, Alexis animando o grande público, de maioria masculina, a la “os mano pow, e as mina pá” – senti falta de uma bateria, mas eu sou mais do analógico mesmo, não me tome por base. É um show que vale assistir!

    Best Coast tocando “Our Deal”

    The War On Drugs é imperdível – banda boa, de músicas inteligentes, e ainda com o jeito Kurt Vile de ser (ele era dessa banda antes de seguir solo). Descobri sem querer o Widowspeak, banda folk fofa, bem “de menina”, uma delícia de ouvir ao vivo! Ainda mais quando vem antes do Dent May, que é ótimo também, animadinho e animador. Por falar em fofura, o Best Coast ao vivo é interessante, mas sua banda parceira de turnês, o Wavves, essa sim! Mas tem que usar protetor de ouvido, porque é super alto (amo!), com direito a rodinha pogando e “atitude punk” da juventude animada.

    Show da banda Cults

    O Cults foi uma das bandas que mais fez shows, e eu amei! Nada de tão diferente do disco, mas gostoso de ver e ouvir. Father John Misty, o cara do Fleet Foxes, é outro “tem que ver”! Ótimo músico, engraçado e com uma dancinha imperdível. Andrew Bird, o galã! Violino lindo e banda exigente.!

    Show do Father John Misty ©Helena Sasseron

    O SXSW proporciona também algumas coisas difíceis de ver, no sentido de algo que não vai acontecer tão cedo: Daniel Johnston cantando três músicas seguidas com uma banda de apoio – lindo, emocionante! E em seguida vem o Built to Spill, que não me canso de ver (eles também tocaram várias vezes por lá). The Jesus and Mary Chain tocando por uma hora e meia, e até com certo ânimo, mas sem deixar o gótico blasé de lado – consegui ver só a metade final, porque a fila estava enorme, coisas pelas quais temos que passar de vez em quando, pois as casas onde os shows acontecem são relativamente pequenas, algumas até demais. Mas essa valia a pena encarar…

    Música e imagens: Sam Prekop ©Helena Sasseron

    Sam Prekop (do The Sea and Cake) em versão acústico sozinho, cadeira e violão, com projeção no fundo do filme “Pavilion”, que foi exibido durante a parte de filmes – chorei! (a trilha do filme é dele, e as imagens são lindas). The Waco Brothers, banda country punk dos anos 90, quase um stand up comedy – maravilhoso. Ezra Furman tocou de cueca e meias, e seu violão que faz mais barulho do que muita banda. Ele parecia nervoso com a vida, quase machucado, e abriu o show fazendo um lindo cover de “Sweet Jane” – passada! E depois continuou com o seu jeito meio Bob Dylan de cantar, misturado com uma sinceridade a la Patti Smith. Foi único.

    Ezra bem à vontade ©Helena Sasseron

    E mais: aparição surpresa do Gossip em festa não oficial (não estava tão cheio) e fila interminável para o show da Santigold, que decidi passar (uma hora ou mais de fila = shows perdidos). Elizabeth And The Catapult na igreja – super voz, menina talentosa, que fica melhor quando a banda entra. Cymbals Eat Guitars foi muito bom – e aviso: parece que o hardcore melódico está voltando à cena. Teve inclusive show do Braid, sabe? Aquela banda de hardcore melódico dos anos 90…

    Show surpresa com Beth Ditto, do Gossip

    Isso sem contar os shows que perdi, mas que ouvi falar muito bem: Django Django (lotado, não dava para entrar), Fanfarlo, Buraka Som Sistema (de dançar até cair), Cloud Nothings (putz, perdeu!), The Wedding Present (um clássico), White Denim, M. Ward na igreja (todas choram) e Dinosaur Jr. (ainda bem que já tinha visto antes), o Neon Indian ouvi dizer que foi ‘a blast’! Nneka (uma espécie de nova M.I.A., só que da Nigéria), Plants and Animals, Blitzen Trapper, Ringo Deathstarr e por aí vai!

    Se você já ficou meio zonzo só com esses nomes todos, imagine o que é estar lá e ter que escolher — muitas vezes isso dá um nó, mas é uma experiência deliciosa e intensa: vá enquanto ainda tem saúde para isso!!!

    Além de tudo isso ainda tem gente linda nas ruas e em qualquer lugar, com looks bons e inspiradores. Pessoas simpáticas que adoram conversar e fazer amizades. Está todo mundo ali pelo mesmo motivo: paixão — desde o público até as bandas, passando pelos voluntários que trabalham no festival, os expositores da feira de pôsteres (um melhor que o outro) e a equipe organizadora e idealizadora do SXSW. Não dá para dormir sem essa!

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