O momento de beleza do desfile da Gucci com seu olho preto esfumado e o cabelo de quem passou a noite na pista dançando sem tempo para retoques talvez seja o melhor exemplo do movimento de rebeldia na beleza, mas não o único.

A estética de Demna em sua estreia na Gucci remeteu, nas roupas e na beleza, à era Gucci by Tom Ford nos anos 1990. Parte da fonte de inspiração do estilista americano, porém, vinha dos anos 70, mais especificamente da era disco, um glamour hedonista (e mais descontrolado) que ele mesclava à estética decadente, essa sim dos anos 90, personificada por Kate Moss (que fechou, não à toa, o desfile de Demna).

A olheira com a sombra preta borrada e o desmazelo aparecem como forma de resistência à perfeição, algo que a Prada também mostrou com seus olhos pretos e seus cabelos desalinhados.

Na estreia de Rachel Scott à frente da Proenza Schouler, a estilista deixou claro que queria quebrar a imagem de perfeição que via na etiqueta. Na maquiagem isso aconteceu por meio da assimetria: o batom vermelho coloria uma parte do lábio e outra não; o delineador ficava embaixo de um lado, em cima do outro. Um gesto simples, mas que traz uma mensagem poderosa. O sinal do inconformismo está, literalmente, na cara.
