Queremos voltar a usar saltos altíssimos?
Queremos voltar a usar saltos altíssimos?
Até pouco tempo atrás, um salto estileto fino e nas alturas parecia sapato de um passado já superado. No máximo, um modelo para usar em situações muito específicas. Os tênis e as flats dominaram a última década na moda e pareciam ter decretado o fim do salto alto e do seu simbolismo contraditório que, de um lado, sugere um empoderamento e, do outro, um controle do corpo feminino. Com a aparição recente de saltos agulhas em passarelas importantes como a da Gucci e Saint Laurent e em celebridades formadoras de opinião, parece que vamos ter que voltar a pensar sobre essas questões.
O que aconteceu? Estilo ou regressão? No carrossel, a editora-executiva da FFW, Carolina Vasone, levanta esse debate. Queremos saber o que você acha.
Nos últimos meses, seja na passarela, seja nos pés de atrizes que viraram ícones de estilo, saltos altíssimos apareceram, elevando e também dificultando o caminhar das mulheres. O que nos fez refletir.
Qual será o simbolismo dessas imagens? Desde o início do ano, a atriz Margot Robbie, que tem se transformado numa grande influenciadora de tendências, vem usando saltos cada vez mais finos e estratosféricos nos eventos de divulgação do filme O Morro dos Ventos Uivantes.
Antes disso, o New York Times, num artigo que citava de Addison Rae a jovens influenciadoras, questionava o que significava esse crescimento de interesse pelos saltos da Christian Louboutin por uma nova clientela da geração Z. E pensar que, há menos de um ano, em abril de 2025, o site Business of Fashion anunciava a crise do salto alto diante da queda de 12% das vendas no ano anterior e da supremacia do tênis.
Na moda atual, há opções funcionais de modelos baixos, vide as botas do último desfile da Dior ou os kitten heels – novamente hits – na Prada. Ao mesmo tempo, a própria Prada e a Dior propõem e colocam em evidência escarpins de saltão na mesma coleção. Mas o ápice acontece na Gucci e Saint Laurent, onde os saltos são finos, altíssimos e se apresentam como protagonistas.
De um lado, há quem veja no salto alto uma simbologia de poder e autonomia, algo que se iniciou como um recurso de “embelezamento” do corpo feminino com a criação do escarpin moderno no pós-guerra e foi ressignificado pelas mulheres nos anos 1980 e 1990. Do outro, sociólogos do gênero e feministas rebatem que o salto é um símbolo de controle tanto do movimento quanto da imagem sexualizada da mulher. “Os saltos altos têm menos a função de acentuar a curvatura do corpo feminino do que de aumentar sua impotência”, disse Simone de Beauvoir, em O Segundo Sexo.
Entre contradições geracionais e simbólicas, será que queremos voltar a usar saltos altíssimos?