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    Preppy 2.0: o antídoto ao cansaço do quite luxury

    Tudo que vai, volta, e o preppy parece ser a resposta da moda para a fadiga do luxo discreto.

     

    Preppy 2.0: o antídoto ao cansaço do quite luxury

    Tudo que vai, volta, e o preppy parece ser a resposta da moda para a fadiga do luxo discreto.

     

    POR Vinicius Alencar

    O preppy está em todo lugar — de novo. Muitos enxergam esse revival como uma extensão natural do quiet luxury ou do chamado estilo “old money”. Outros até mesmo como um reflexo da recessão econômica atual. Mas a verdade é que ele nunca saiu de cena. Colorido, propositalmente despretensioso (às vezes), o preppy sempre teve raízes profundas na cultura jovem e college americana, com seus xadrezes, polos, suéteres sobre os ombros e meias até a canela.

    Ao longo das décadas, esse visual atravessou territórios improváveis: dos clubes de iatismo da Costa Leste aos campus da Ivy League, das marchas pelos direitos civis no Alabama aos clubes de jazz do Harlem, chegando ao distrito de Ginza em Tóquio e, claro, às passarelas de Paris. Ícones pop como a jovem princesa Diana com seus colares de pérolas Sloane Ranger e moletons, no cultuado “Heathers” e Cher Horowitz em As Patricinhas de Beverly Hills com cardigãs de losangos e saias plissadas formam o imaginário essencial do estilo. 

    O novo preppy: da Miu Miu à Celine

    Mas é impossível falar do novo preppy sem citar a Miu Miu. Desde que colocou passarela adentro uma microssaia plissada e um suéter cropped, a marca redefiniu o desejo contemporâneo e criou uma das imagens mais reconhecíveis (e reproduzidas) desta década. Um verdadeiro turning point, que abriu caminho para uma série de outras leituras – como a Dior sob Jonathan Anderson, com seus garotos que parecem ter saído de uma aula de piano e filosofia, a Auralee com sua sobriedade japonesa, e a Celine de Michael Rider, que tensiona as bases do estilo com códigos atualizados.

    Thom Browne talvez tenha ido mais longe: transformou o preppy não apenas em estética, mas em estrutura – um império visual de alfaiataria, humor e teatralidade. E Pharrell, com sua jornada que vai da Billionaire Boys Club aos looks colegiais luxuosos na Louis Vuitton, é outro nome essencial nessa reinvenção: alguém que pegou a tradição e a desmontou peça por peça, até recriá-la com cores, texturas e referências pessoais. O resultado? Um preppy multifacetado, menos limpo, mais irônico e muito mais autoconsciente. 

    Tommy Hilfiger nos anos 1990 foi crucial para essa inflexão no preppy – ela manteve os códigos da elite costeira branca americana, mas ganhou outra dimensão ao ser apropriada pela cultura hip-hop. E isso não foi um movimento forçado de marketing: foi orgânico, vindo das ruas, com artistas como Snoop Dogg, Aaliyah e Grand Puba usando as peças oversized, coloridas, com o logo bem visível.

     

    O preppy é pop

    Quem cresceu nos anos 1990 e 2000 sabe bem: esse universo nunca foi exatamente novidade. Estava em Gossip Girl, Elite e anos depois em Overcompensating – em comum entre eles, além dos dilemas adolescentes, os uniformes colegiais transformados em fantasia. A diferença agora é que o preppy deixou de ser exclusivo. Democratizado e remixado, ele voltou a ser pop – e a influenciar quem, até pouco tempo atrás, jamais faria parte desse clube. É o caso de Doechii, de Tyler the Creator e de toda uma geração que veste paletó, tênis e gravata fina com uma dose de ironia, humor e provocação.

     

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