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    Para além do hype: designers da nova geração estariam realmente preparados para assumir grandes marcas?

    Num ciclo cada vez mais curto, diretores criativos são contratados e dispensados sem tempo para amadurecer sua visão.

    Para além do hype: designers da nova geração estariam realmente preparados para assumir grandes marcas?

    Num ciclo cada vez mais curto, diretores criativos são contratados e dispensados sem tempo para amadurecer sua visão.

    POR Vinicius Alencar

    Em busca de reviver o sucesso do passado, executivos de marcas tradicionais e de histórico na moda têm buscado na nova geração de designers, nomes do hype e salvadores da pátria para seus negócios, na expectativa de que eles tragam consigo a nova geração dos consumidores. Mas essa estratégia parece não estar se comprovando um sucesso e no mesmo ritmo em que se descartam as roupas atualmente, esses criativos têm virado cartas fora do baralho num piscar de olhos.

    De tempos em tempos, parece que basta um designer ser nomeado ou desocupar o cargo de diretor criativo para que um efeito dominó comece. A coincidência fashionista que pode parecer até astrológica é, na verdade, bem mais corporativa e mercadológica. Se até os anos 1990 e início dos 2000, estilistas permaneciam com facilidade em seus cargos por pelo menos uma década. Isso vem caindo por terra e os períodos diminuindo mais e mais, alguns até durando apenas uma única coleção. 

    Rhuigi Villaseñor, o nome por trás do sucesso da marca Rhude.

    Não que isso não tivesse acontecido ao longo do século 20, mas sem dúvidas se firmou como um comportamento do século 21 – com designers millennials e até mesmo da geração Z pingando aqui e ali, em passagens relâmpagos. Um dos melhores e mais recentes exemplos disso: Ludovic de Saint Sernin, de 32 anos, que semanas depois da estreia na Ann Demeulemeester, já foi substituído por Stefano Gallici, que trabalha no grupo Dreams Factory – detentor da marca, desde 2019. A saída teria sido um acordo mútuo, apesar de no backstage rumores darem conta de demissão e um total desencontro de ideias entre Ludovic e o detentor da marca, Claudio Antonioli. 

    Na mesma semana, Rhuigi Villaseñor (31), o nome por trás do sucesso da marca Rhude, anunciou que estava saindo da tradicional Bally, onde nem completou um ano. Mais uma vez um comunicado amigável foi divulgado, por mais que fontes próximas afirmam que a visão do criativo não vinha sendo tão respeitada pelos executivos. Se de um lado há uma enorme necessidade de renovação, por outro há um gigante desafio que exige além de criatividade, experiência, afinal é necessário traduzir hype em resultados financeiros – de preferência bem significativos. 

    Em março passado, Harris Reed (27) fez seu début na Nina Ricci, com um desfile ultraperformático e instagramável, mas suas roupas-figurino foram recebidas de maneira morna pela imprensa. Será que ele continua? Até o momento – pelo menos – a resposta é sim. Nesse cenário de insegurança, os olhares agora recaem sobre Peter Do, anunciado no começo de maio diretor criativo da Helmut Lang, com estreia oficial prevista para setembro. 

    Harris Reed na Nina Ricci

    O que concluímos é algo bem óbvio: o hype midiático e suposta influência que os escolhidos exibem nas redes sociais tem grande peso na escolha desses nomes. Logo, essa nova geração com marcas nativas digitais ao encontrarem executivos com empresas de décadas nas mãos, invariavelmente tentam impor sua visão criativa – a diferença é que agora não há sequer mais tempo para maturação. 

    Estariam essa nova geração de designers prontas para equilibrar o criativo com a pressão por resultados e o olhar estratégico para lidar com tópicos que vão além da imagem? 

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