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    Conheça a Amateur, marca que vai para além dos essenciais

    Acácio Mendes transformou um desejo pessoal em sua primeira marca.

    Conheça a Amateur, marca que vai para além dos essenciais

    Acácio Mendes transformou um desejo pessoal em sua primeira marca.

    POR Vinicius Alencar

    Scrollando pelo Instagram, me deparei com um perfil que imediatamente chamou a atenção. Fuçando um pouco mais, descobri que a marca recém-lançada carregava um nome que eu já acompanhava há alguns anos: Acácio Mendes. Antes de fundar a Amateur, ele já havia atravessado praticamente todas as camadas da indústria da moda brasileira. Filho de uma família de costureiras, aprendeu a costurar ainda criança e construiu sua formalmente, mas também no chão de fábrica, passando por lavanderias de jeans, tecelagens, estamparias e grandes indústrias.

    A passagem por nomes como Alexandre Herchcovitch e Cotton Project não apenas refinou seu olhar para criação e produto, como sedimentou uma obsessão rara hoje: entender o processo inteiro, do desenho à viabilidade real. A Amateur nasce justamente desse acúmulo: do desejo de repensar clássicos do vestuário com rigor técnico, sensibilidade contemporânea e um equilíbrio delicado entre qualidade, preço e desejo.

    A seguir você lê nosso papo na íntegra.

    1. Acácio, queria começar do início: como foi sua formação? O que você estudou e de que forma esse período ajudou a moldar o profissional que você é hoje?

    Eu cresci numa família de mãe e tias costureiras e sempre fui encantado por esse ofício, pelos tecidos, ver a roupa tomando forma, etc.

    Com uns 12 anos aprendi a costurar e bordar. Depois disso, na adolescência, fiz alguns cursos de modelagem e de desenho e com 17 anos entrei na Faculdade de Moda na UEM (Universidade Estadual de Maringá). Logo no primeiro ano da faculdade eu já comecei a trabalhar na indústria, por necessidade mas também muito pela minha vontade de saber como as coisas funcionavam na prática.

    Eu gostava muito do conteúdo da graduação mas tinha uma preocupação muito grande em entender como aquilo se aplicava na realidade. Acho que o aprendizado desse período veio 30% da faculdade e 70% do trabalho em si. Fui estagiário, auxiliar de estilo, estilista júnior até chegar em estilista, trabalhei em lavanderia de jeans, tecelagem, estamparia e indústrias muito grandes. Tudo isso me deu uma base muito sólida do processo e um entendimento de que tão importante quanto a criação em si é saber como desenvolver o produto, conhecer cada etapa e tornar ele possível e viável dentro de uma realidade.

    2. Ao longo da sua trajetória, você colaborou com diferentes marcas, a Cotton Project entre elas. Como esses trabalhos aconteceram e o que esse período de colaborações te ensinou sobre mercado, produto e processo criativo?

    Acho que na minha trajetória tiveram duas marcas que eu trabalhei que de fato moldaram todo o meu processo de desenvolvimento, de criação e também de visão de mercado. Primeiro com Alexandre Herchcovitch, eu havia acabado de me formar e vim trabalhar com ele na segunda marca que era a Herchcovitch e na época desfilava no Fashion Rio. A marca tinha foco em Denim e eu tinha uma boa experiência nesse segmento pelo meu tempo trabalhando no Paraná. Eu pude trabalhar de perto com ele no dia a dia e foi surreal, eu sempre fui muito fã e de fato ele é um gênio no que faz, como ele pensa a roupa, a construção em si, as técnicas utilizadas, a modelagem, a costura, o acabamento, escolha dos materiais, tudo! Eu acho que foi quase uma segunda faculdade mesmo.

    E em 2015 eu entrei na Cotton Project, eu entrei pelo jeito mais convencional possível, currículo e entrevista. Era algo completamente diferente da minha experiência com o Alexandre, na época eles faziam praticamente só camisetas mas tinham vontade de expandir. O produto em si era “simples” mas todo o restante era muito forte, o lifestyle, a comunicação, a idéia da marca em si. Então tinha um espaço para esse produto crescer e eu acho que rolou uma conexão muito boa entre eu e o Rafael. Ele sempre foi muito fiel ao que ele idealizava para a marca, mas me deu espaço e confiou em mim criativamente.

    A evolução foi muito orgânica, sem pressa, mas fizemos os desfiles, lançamos todo tipo de produto, linha feminina, collabs, etc. Tudo isso com uma estrutura muito pequena. Eu tinha liberdade pra fazer, mas precisava fazer sozinho e garantir que ia ter qualidade, preço e ser viável para a realidade da marca. Daí acho que veio muito essa minha preocupação em cuidar do processo completo, quando você não tem a estrutura de desenvolvimento interna muita coisa pode dar e dá errado então eu comecei a desenvolver uma metodologia própria de treinar e acompanhar os fornecedores para conseguir fazer aquilo que eu queria.

    3. Em que momento surgiu o desejo ou a necessidade de lançar algo autoral? Houve um insight específico que te motivou a criar uma marca própria?

    Há alguns anos eu comecei a fazer esse processo de desenvolvimento/ criação e expansão de produto para marcas menores que tinham vontade de ter mais produtos. Fiz isso com a Singa, Bannanna e mais algumas marcas. E nesse processo eu acabei criando uma rede de fornecedores que eu desenvolvi e treinei pra fazer um produto legal e diferente numa tiragem menor, que é uma grande dificuldade da indústria hoje. Aí o restante eu acho que foram as circunstâncias mesmo. A vontade sempre esteve lá mas nunca era possível, seja por estar com muito trabalho e não ter espaço, ou mesmo por não estar pronto.

    Mas teve um insight específico que eu acho que foi meio o gatilho para o que já tava quase maduro dentro da minha cabeça. Eu queria muito comprar uma camisa branca clássica, mas que não fosse tão clássica, que tivesse uma modelagem atual, com acabamento e tecido bom de verdade, mas que não custasse uma fortuna. Eu fiquei meses procurando essa camisa, mas sempre uma das minhas exigências não era atendida. Ou era a modelagem, ou o acabamento, muitas vezes o preço. E aí eu fiz ela, mostrei pra alguns amigos, fui dividindo e maturando a idéia, testando mais peças com essa mesma premissa e de repente estava pronto rs.

    4. A Amateur é sua primeira marca ou você já havia experimentado outros projetos autorais antes dela?

    A Amateur é minha primeira marca própria, já tinha feito peças sob medida, figurino, projetos menores, mas nunca uma marca de fato.

    5. Hoje, o que você acredita que define a Amateur? Quais são os pilares conceituais, estéticos e práticos que sustentam a marca?

    A idéia da marca foi partir de peças clássicas e repensar e atualizar elas em uma ou mais partes do processo de desenvolvimento de produto, pode ser algum elemento da criação e do design, a construção, a modelagem, o acabamento, a escolha do tecido e aviamentos, a viabilidade e o custo. A roupa que eu acredito é fácil sem ser chata, confortável, duradoura e dá vontade de usar sempre.

    6. Pelo que se percebe, existe uma forte aposta em atemporalidade e essencialidade: alfaiataria, camisetas, underwear. Esses são produtos que você sentia falta no mercado nacional ou categorias que desejava explorar com mais profundidade e rigor?Eu acho que a atemporalidade e essencialidade são fatores importantes, mas não são os elementos principais da marca, não quero e nem acho que a Amateur seja uma marca de básicos. Os produtos são repensados para o agora e existe uma experimentação que pode ser maior ou menor em cada produto. Eu tenho esse apreço pelos clássicos do vestuário e pelo workwear, mas não como algo imutável , e sim como algo a ser explorado nos seus detalhes e modificado também.

    7. Atualmente, a marca é vendida exclusivamente pelo e-commerce? Existe a intenção de expandir para outros formatos de venda ou pontos físicos no futuro?

    Hoje somente pelo online mas num futuro próximo a idéia é ter um atelier próprio com showroom das peças e também para expandir o serviço de sob medida que já é oferecido hoje.

    8. E em relação ao tempo da marca: como você pensa a periodicidade dos lançamentos? A Amateur segue a lógica tradicional de coleções por estação ou prefere um calendário mais livre e orgânico?

    A idéia é ser mais livre mesmo, e trabalhar tanto com reposição de itens que tem uma demanda maior, mudando somente cor ou detalhes e com lançamentos de drops novos a cada 3 ou 4 meses.

    9. Para finalizar, que conselho você daria para alguém que hoje deseja lançar sua própria marca de moda, especialmente em um mercado tão competitivo e instável como o atual?

    Acho que primeiro de tudo ser honesto com você e realista, lançar algo é sempre um risco e acho que é importante estar consciente dele. Estar aberto a mudar o plano onde for necessário, às vezes é preciso abrir mão de algumas partes e priorizar o todo. Conhecer o processo completo, você não precisa saber fazer tudo, mas precisa pelo menos conhecer todas as etapas. A indústria é cheia de dificuldades e você vai precisar lidar com elas o tempo todo, quanto mais conhecimento você tiver para resolver menos perrengue você vai passar. Mas ainda assim vai passar bastante [risos]

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