SÃO PAULO, 11 de junho de 2010 Por André Rodrigues (@randreh)
Vamos começar dizendo o que interessa: esta é uma das melhores coleções de Wilson Ranieri. O jovem estilista imprime sua marca indelével no SPFW com um desfile super leve, recheado de manipulações que só ele, herdeiro criativo de Clô Orozco, poderia conseguir. Através de técnicas completamente dominadas de moulage, Wilson torce e retorce os tecidos, seca a silhueta sem ficar refém da vulgaridade, marca o colo feminino com uma estruturação de bojos simplesmente demais. Os bordados em fio perolado sobre tecidos semi transparentes do começo da apresentação acendem a passarela e são seguidos das minissaias e bermudas finas, recortes, pences, e um puxa daqui/repuxa de lá que desafia o entendimento da plateia de uma maneira deliciosa. Como é bom estar numa sala de desfiles onde o criador controla toda e qualquer interpretação de sua obra. Wilson não abre margem para questionamentos, não se dá ao trabalho de explicar sua inspiração, apenas apresenta o seu best of através de vestidos que ganham relevância extra no linho amassado. Quando ativa a tendência boudoir, Ranieri bota fogo na apresentação: as calças e tops rendados, intercalados em transparências de tirar o fôlego, apontam para o styling genial de Maurício Ianês. Ao término, quando introduz a textura e o brilho através de canutilhos espelhados, a coleção parece perder um pouco da força, mas reganha energia máxima no último look, totalmente desejo. Quando a fila final entra, vem a confirmação: Wilson ainda não construiu uma marca forte o bastante para causar o buzz que faz toda a diferença num desfile -- falta um punch. Mas sua coleção, esta sim, há muitas temporadas, tem sido impecável. Make up & hair: Saulo Fonseca Trilha sonora: Andrea Gram Stylist: Maurício Ianês Cenografia: Agência Dama Direção: Roberta Marzolla Produção executiva: Alexandre Queiros