SÃO PAULO, 11 de junho de 2010 Por Luigi Torre (@luigi_torre)
Neste verão, Simone Nunes mistura o Brasil com Michelangelo Antonioni. Troca as areias dos desertos americanos de “Zabriskie Point” (filme ícone da contracultura dos anos 1960), pelas praias baianas. O mix dá certo. O que se vê é uma coleção fresca, cheia de propostas interessantes e ainda renovando o repertório da marca. Da Bahia brotam os florias, as modelagens largas e saias amplas. Da praia, o neoprene, o cabelo meio molhado, as hotpants, o beachwear em blocos de cor e o cabelo meio molhado. Do filme e de toda aquela postura “anti-establishment” vem a atitude levemente irreverente, que ganha um despojamento extra no melhor estilo Bahia de Pierre Verger. O desfile abre com um interessante clash de estampas que permeia toda coleção. Tops curtinhos em tecidos leves vêm combinados com saias de modelagem afastada do corpo, em tecido encorpado, num comprimento logo abaixo do joelho e longuete. Aqui a proporção, ainda que bem contemporânea, é confusa, sobretudo quando a silhueta da parte de baixo ganha um certo excesso. O mesmo vale para os babados de neoprenes desnecessários que pesam a imagem e atrapalham o bom mix de estampas. O melhor fica por conta das peças em voal de algodão. Chemises, blazeres desestruturados vêm sobrepostos a paetês ofuscando o brilho de maneira bem inteligente. Direção de criação: Simone Nunes Styling: Thiago Ferraz Beleza: Robert Estevão Trilha: Luis Depeche e Edu Corelli