SÃO PAULO, 11 de junho de 2010 Por Erika Palomino (@erikapalomino)
Quem já viajou pelo Norte/Nordeste no Brasil se encanta pelas fachadas das casas, sua simplicidade, texturas, cores. Esta é a inspiração da estilista Danielle Jensen na Maria Bonita, via as fotos de Anna Mariani, publicadas no livro “Fachadas e Platibandas”. Assim, a superfície, as cores e os matizes do barro queimado, do cal e de seu grão em cores como o verde, o azul e o rosa, desbotados pelo tempo, pelo sol, pela chuva. Tudo lindo, muito lindo. A simplicidade da Maria Bonita aqui é mais árida e rústica do que nunca, ao som de dona Edith do Prato e de Caetano Veloso. Dani Jensen segue (que bom) sem medo do regional. Aqui tudo é amarfanhado, solto, com a arquitetura da roupa respeitando antes de mais nada o conforto, no sentido mais literal da palavra utilitário. O comprimento é pula-brejo, a proporção é solta. É calor. Os trabalhos estilísticos, por assim dizer, vem _como Deus_ nos detalhes, e assim dobradiças, barras, madeira, laminados, inox dão o ar de sua graça aqui e ali. Faltou à Maria Bonita, a Dani Jenssen, e também à edição do desfile, um statement mais forte, mais confiante. Simplicidade demais cansa. E não faz verão. De longe (da primeira fila, ao menos), parece que os números vêm cobrando da equipe de estilo conceitos e peças mais acessíveis ao mundo dos normais. Coisas que as pessoas possam... querer ter. E comprar. OK. Se o essencial é mesmo invisível aos olhos, isso não vale para um desfile. No principal evento lançador de moda do país, entretanto, precisamos de ideias, e que elas sejam mostradas em alto e bom som. E com palmas marcando, deliciosamente, a batida brasileira. Direção do desfile: Daniela Thomas Styling: Pedro Sales Beleza: Celso Kamura Trilha sonora: Dudu Dub