SÃO PAULO, 10 de junho de 2010 Por Luigi Torre (@luigi_torre)
Coco Chanel costumava dizer que volumes e decorações deviam sempre ter uma razão de ser. E no verão 2011 da Cori, essa razão foi quase inexistente. Trabalhando a feminilidade, Gisele Nasser e Andrea Ribeiro se propõem a explorar o contraponto entre tecidos encorpados e soltos. Para ilustrar melhor essa vontade, se inspiraram numa imagem floral, registrada por pesquisadores viajantes no Brasil no século 19 – daí o jogo entre o utilitário das vestimentas e o orgânico das pétalas de flores -, numa coleção bem mais descontraída do que aquele guarda-roupa de trabalho que estamos acostumados a ver. O desfile, então, se desdobra do jogo entre a alfaiataria encorpada sobre peças soltas e um excessivo bolo de drapeados. Sais godês curtinhas, combinadas com blusas soltinhas, vestidos em tecidos leves com leve volume e barras inacabadas, se destacam como ponto alto da coleção. Porém, o lado orgânico fala mais alto, e a imagem fica carregada. Volumes disformes, somados a comprimentos longos e tecidos que sobram, pesam na imagem final do desfile. Bons mesmo são os looks em que os volumes aparecem mais contidos – principalmente aqueles onde elementos de alfaiataria falam mais alto. Estilo: Andrea Ribeiro e Giselle Nasser Direção geral: Iza Smith Direção artística: Pedro Paulo de Souza Styling: Renata Corrêa Beleza: Daniel Hernandez Trilha: Hisato Tanaka Cenário: Curau Estúdio/GB Eventos