SÃO PAULO, 12 de junho de 2010 Por Luigi Torre (@luigi_torre)
A moda praia de Adriana Degreas não é bem para praia. Segundo a estilista, são peças para private pool parties – aquelas festas lascivas e cheias de erotismo, disseminadas nos anos 1930 e 40, como explica Ignácio de Loyola Brandão no release de imprensa. Algo como Gatsby, Ava Gardner semi-nua no Copacaban Palace, ou Marlene Dietrich nua na piscina da casa do escritor Ernest Hemingway, em Havana. Isso já deve dar conta de explicar a vibe Hollywood Golden Age, traduzida principalmente nos tops com bojo, muitas vezes texturizados e combinados com hotpants. Ainda que nada inovador, o clima boudoir, todo nude com aparência molhada, pontuado por brilhos intensos – vide o vestido de Daiane Conterato com biquíni cheio de cristais – desperta desejo. Muito mais do que os looks acetinados em verde e rosa, ou aqueles com volumes amarrotados em forma de maxi-flores e nos arabescos aveludados. Repleto de modelos tomara-que-caia amplos, transparências e drapeados, o verão 2011 de Adriana fala de um beachwear cheio de glamour que, na passarela, fez total sentido em ser mostrado em São Paulo, e não no Rio de Janeiro. Shortinhos com canutilhos, camisas e saias em organza, caftãs e macacões amplos em jérsei e gazar aumentam ainda mais o grau de sofisticação da coleção. Ainda que com alguns problemas de modelagem – vestidos curtos demais (como aqueles que Débora Müller e Eva Herzigova tiveram que segurar), formas muito amplas (como o macacão assimétrico de Thana Kuhnen) – Adriana Degreas evolui com uma das melhores coleções de moda praia desta temporada. Direção criativa: Adriana Degreas Styling: Giovani Frasson Beleza: Max Weber Direção de desfile: Zee Nunes Trilha: Dj Zé Pedro Cenografia: Marton