SÃO PAULO, 29 de novembro de 2010
Por Luigi Torre (@luigi_torre)
As modelos no desfile de Rober Dognani mais pareciam versões góticas de Daryl Hannah em "Blade Runner". E a comparação não é por menos, o estilista quis mesmo fundir alguns universos de sua predileção: o rock, o gótico e o futurista. Em cima disso deu continuidade ao trabalho de construção _e muita moulage_ que se intensificou na temporada passada.
Assim, com pegada oitentista, Rober desconstrói, torce, amplia, ajusta e vai brincando com a modelagem e proporção de seus vestidos _boa parte deles em couro vegetal. Com mangas assimétricas, decotes de um ombro só, volumes orgânicos e até macacões com apenas uma perna, algumas construções merecem destaque pelo difícil manuseio do material. Porém, a vontade de experimentar algumas vezes acaba sendo um passo maior que a perna. Acabamento, proporção e caimento nem sempre são favorecidos por esse incansável trabalho de reconstrução.
Outro elemento que podia ter ficado de fora são as calças com uma espécie de pata robótica _aberturas geometricamente estruturadas nas barras. Por mais que nas últimas coleções Rober tenha se livrado de referências muito literais, impossível não pensar aqui em Rick Owens _e em quão mais bem resolvidas foram suas peças criadas nesse mesmo estilo.
Do lado positivo, temos as peças em gazar de seda e o bom mix de itens “comerciais” que Rober passou a incluir na passarela desde seu último verão. Quando a estrutura do couro conversa com a fluidez dos demais tecidos, a imagem é bem mais harmoniosa. Os macacões soltos e assimétricos do final são um show à parte, ainda que com probleminhas de modelagem. O mesmo vale para os vestidos longos, apresentados com algumas sobreposições. Peças igualmente poderosas e impactantes como as estruturadas e com volumes complexos, mas que não imprimem esse esforço exagerado de "se mostrar capaz".