A alfaiataria tem posição de destaque no inverno 2010 de Wilson Ranieri. O estilista que tem toda uma predileção por construções elaboradas e trabalhos em moulage resolveu dar um toque mais suave e feminino a um segmento tipicamente voltado ao público masculino. Contrapondo tecidos planos em cinza ou rosa com outros sintéticos reluzentes, ele trabalha com brilhos e opacidades de forma interessante, se arriscando na criação de formas nada convencionais.
Wilson, dobra, enrola, repuxa, amarra e cria volumes delicados, sempre dotados de certa leveza, num grande exercício de volumetria, modelagem e construção. Funde amplas saias às calças, amplia mangas de casacos e blusas e dá leveza e feminilidade aos blazeres encurtados e com volumes desestruturados. A imagem é fresca, dotada de uma delicadeza peculiar e bem autoral desse estilista que teve com mestre ninguém menos que Clô Orozco, da Huis Clos.
Wilson não tem medo de errar. Investe na construção de seus vestidos, indo da malharia bem fininha (onde se dá melhor com detalhes, volumes e construções mais simples) a tecidos mais encorpados como tweed e uma espécie de pelúcia. Arrisca na criação de formas e volumes sem medo de não ter recursos (tecidos, modelistas, costureiras e acabamentos) para tornar tudo realidade. Aí fica a pergunta – o que vale mais: arriscar sem medo de dar um passo maior que as pernas, ou pisar no freio, dosando as aventuras criativas?
Numa temporada onde muitos têm se divido entre a busca por algo realmente autoral e criativo e reciclagens do próprio passado, talvez a primeira opção seja mais adequada.
Direção de criação: Wilson Ranieri
Direção de desfile: Roberta marzolla
Beleza: Vanessa Rozan
Cabelo: Rogério Santana
Trilha: Andrea Gram


























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