“Chega um momento em que a gente precisa se equalizar”, contou a estilista Anne Gaul após a apresentação do OESTUDIO. “Nos sintonizar e equalizar a nossa essência com o que é importante para nós”. Assim, o inverno 2010 da grife carioca se resume ao essencial, sem decorações, volumes ou construções desnecessárias. Roupas com uma razão de ser, como elementos equalizadores que se relacionam ao modo de ver o mundo de cada um.
Trocando a passarela por uma tela de projeção, o coletivo mergulha na tendência do momento, se focando na alfaiataria de corte simples, com tecidos encorpados, como as boas peças em lã xadrez. A pegada utilitária tão característica da marca vem mais sutil, às vezes combinada ao lado mais básico, às vezes tomando conta de looks quase esportivos, retomando valores como funcionalidade e praticidade.
A moda para OESTUDIO nunca se resume a meros itens de vestuário, ou aos desejos passageiros. Para eles, as roupas desempenham um papel essencial em como vemos e nos relacionamos com o mundo. Prova disso é o colete desenvolvido especialmente para Uênio Gonçalves Junor, em parceria com o Instituto Nacional de Tecnologia. “Com paralisia cerebral, ninguém conseguiu criar um colete capaz de sustentar seu corpo”, conta Anne sobre o menino que, até ganhar o colete do coletivo, só via o mundo na horizontal.
Assim, OESTUDIO volta ao básico, ao essencial, para permitir que cada um enxergue e interprete suas roupas à sua própria maneira. Roupas que funcionam como base para pensamentos e conexões particulares de cada um. Só que ao deixar as conexões ao crivo do seu público, a marca (e sua identidade) fica apagada e perde força. Ainda que as peças sejam boas e tenham merecido valor pela moda inclusiva, a força criativa da grife fica quase imperceptível numa apresentação em formato de vídeo (que, no fundo, nem é algo tão inovador e poderia ter sido bem mais explorado).