Em sua coleção para o inverno 2010, Mario Queiroz ousou explorar uma cartela de cores que nunca havia sido mostrada em seus desfiles. Muito provavelmente o pouco contato com essas tonalidades mais primárias – como o amarelo, azul e vermelho que deram as caras logo de cara, no primeiro look – tenha atingido em cheio o calcanhar de Aquiles do estilista.
Aquilo que poderia ter resultado numa poderosa combinação de cores e padronagens mostrou-se muito mais conflitante do que convergente, muito mais uma subtração do que uma soma. Para amenizar, a trilha sonora estava ótima: The xx ("Crystalized") tendo como pano de fundo um cenário de grafismos luminosos + tapete de mais de 30m de comprimento.
Partindo da desconstrução/reconstrução da Union Jack (a bandeira do Reino Unido), Mario converteu as faixas da flâmula em listras, quadriculados, xadrezes e losangos que, quando matelassados, pareciam totalmente out-of-date. Quando desce alguns degraus colorimétricos, se aproximando da neutralidades dos cinzas e pretos, Mario acerta na mão. Fica evidente que sua vocação está ali, na alfaiataria de fendas ousadas, coletes bem cortados e acessórios como chapéus e suspensórios. As calças de modelagem mais folgada também são interessantes, mas ficam soterradas pela quantidade de informações na estamparia do tecido.
O desfile poderia ter começado com a última sequência de looks, uma ode ao talento do estilista. Fica a certeza de que Mario Queiroz, veterano de guerra que é, vai saber diluir os exageros da passarela para o seu consumidor final, garantindo o sucesso comercial da coleção que se perdeu nos meandros do conceito. E, quem sabe, sua próxima coleção (de verão 2011) terá como ponto de partida o último modelos apresentado neste domingo aqui no SPFW – alfaiataria, sobriedade, pés no chão.































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