Quando a Maria Bontia anunciou que seu inverno 2010 seria inspirado em Lina Bo Bardi, já era sabido que a combinação daria certo. A grife sob comando de Danielle Jensen mantém uma íntima relação com o trabalho e pensamentos modernos da arquiteta conhecida por suas obras de desenhos arrojados, com concreto e fiações aparentes. A paixão pela arquitetura, pelas formas puras que de tão simples chegam a ser brutas, é apenas o começo. Com construção minimalista, conferem a cada peça uma sofisticação nata, difícil de ser explicada.
Assim como as obras modernistas de Bo Bardi os vestidos da Maria Bontia vêm como grandes blocos de concretos. Em tecidos encorpados, volumes assimétricos aparecem esculpidos como recortes numa peça única. Pequenas fendas nas costas das calças e vestidos revelam o corpo quase como as fendas que Bo Bardi tanto gostava de usar para revelar as fiações ou estruturas de sustentação de suas peças. A diferença é que aqui o pilar é o corpo humano. Este aparece também na alfaiataria toda feita de blocos, com fendas e recortes delicados que mantém junto todas as peças.
O equilíbrio é perfeito. Como uma verdadeira arquiteta, Danielle Jensen pensa em todos os detalhes para não deixar que a rigidez das formas arquitetônicas pese nos looks. Seja no bom jogo de acessórios que se “equilibravam” entre um lado e outro dos vestidos e jaquetas, seja no contraponto leve das calças jogging que conferem toque esportivo a coleção. Chique e sofsticado ao extremo, sem jamais parecer pretensioso ou forçado ou demais. União perfeita que não é mera inspiração, mas sim verdadeira identificação.
Estilo: Danielle Jensen
Direção de desfile: Daniela Thomas
Jóias: Antonio Bernardo
Stylist: Pedro Sales
Beleza: Calso Kamura
Trilha: Dudu dub






























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