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    Lino Villaventura
    Inverno 2010 RTW
    Todos Ler Review
    Por Augusto Mariotti 21.jan.10

     

    É sempre muito subjetivo avaliar o trabalho de um artista como Lino Villaventura. O termo "estilista" não se encaixa mesmo no seu universo repleto de surrealismo, 
    não chega nem perto de definir o turbilhão criativo que o impulsiona para o alto e avante. Lino é uma força que deve ser reconhecida sob ótica desfocada do mundo 
    real, distante das atuais vontades da moda, longe de qualquer racionalização.
    Então vamos traçar uma linha imaginária. Do lado de cá, onde as pessoas comem, bebem, vivem e morrem, suas roupas são apenas ricos figurinos teatrais. Do lado de lá, 
    onde fadas, ninfas, dríades, pixies e toda uma fauna fantástica se alimentam de sonhos e vivem eternamente, suas roupas são excepcionalmente incríveis. Cada trama de 
    Lino tece uma história com começo e meio, mas que nunca chega ao fim. Talvez as telas de organza e tule com fios brilhantes representem o limiar entre o lado de cá e 
    o mundo de lá. Por fora, a plateia em catarse com esse contato imediato de terceiro grau. Por dentro, patchworks de tecidos variados, cores que remetem às asas das 
    borboletas, texturas saídas de aves exóticas. Os sapatos são um show à parte: abandonados no backstage, davam a impressão de que um aviário tinha sido aberto. 
    Araras, papagaios e aves-do-paraíso descansavam à sombra dos vestidos. Nos pés das modelos ganhavam outro sentido, relembrando o mito de Hermés, mensageiro dos 
    deuses gregos. Na cabeça, chapéus escultóricos para arrematar o clima fairy tale. 
    Em alguns momentos, Lino distorce a barreira entre os mundos e cria vestidos 100% usáveis no mundo real, ultra femininos, com detalhes ricos na região dos 
    quadris,rosas pretas em brocado de veludo sobre um tecido acobreado, um trabalho supremo de artesanato e quase-reciclagem de materiais. A silhueta se alterna entre 
    os cocoons, a letra "A" e a amorfidade completa.Para desafogar, os looks masculinos são pés-no-chão, com calças giga amplas de cintura mega alta (do tipo 
    saint-tropeito) para compor uma atmosfera oriental,relembrando os modelos usados por praticantes de Kenpo, só que com suspensórios. As camisas masculinas também 
    foram muito sóbrias. 
    Viveriam esses homens no mundo real? Seriam eles os caçadores humanos dessas criaturas femininas sobrenaturais? Se a resposta for sim, então outro código é quebrado: 
    Lino estaria reutilizando os conceitos e materiais de sua última coleção (verão 2010). Aliás, estaria usando elementos de tantas coleções quantas forem possíveis, já 
    que seu DNA é um dos mais consistentes e com maior longevidade da moda brasileira. A única coisa que faltou nesta apresentação para o inverno 2010 foi um pouco de 
    emoção (talvez a trilha sonora estivesse amena demais, ou talvez o problema tenha sido a iluminação pasteurizada). 
    Mas, no fim das contas, uma coisa é irrefutável: do seu lado do muro, Lino domina geral.
    Cenografia: GB Eventos
    Diretor de desfile: Paulo Borges
    Produtor executivo: Inez Villaventura
    Iluminação: Gian Bortolotti
    Stylist: Lino Villaventura / Regis Vieira
    Make up & hair: Marcos Costa
    Trilha sonora: Felipe Venâncio

    É sempre muito subjetivo avaliar o trabalho de um artista como Lino Villaventura. O termo "estilista" não se encaixa mesmo no seu universo repleto de surrealismo, não chega nem perto de definir o turbilhão criativo que o impulsiona para o alto e avante. Lino é uma força que deve ser reconhecida sob ótica desfocada do mundo real, distante das atuais vontades da moda, longe de qualquer racionalização.

    Então vamos traçar uma linha imaginária. Do lado de cá, onde as pessoas comem, bebem, vivem e morrem, suas roupas são apenas ricos figurinos teatrais. Do lado de lá, onde fadas, ninfas, dríades, pixies e toda uma fauna fantástica se alimentam de sonhos e vivem eternamente, suas roupas são excepcionalmente incríveis. Cada trama de Lino tece uma história com começo e meio, mas que nunca chega ao fim. Talvez as telas de organza, gaze de seda e tule com fios brilhantes representem o limiar entre o lado de cá e o mundo de lá. Por fora, a plateia em catarse com esse contato imediato de terceiro grau. Por dentro, patchworks de tecidos variados, cores que remetem às asas das borboletas, texturas saídas de aves exóticas. Preto, chocolate, açaí, amêndoa, vermelho e amarelo são predominantes.

    Os sapatos são um show à parte: abandonados no backstage davam a impressão de que um aviário tinha sido aberto. Araras, papagaios e aves-do-paraíso descansavam à sombra dos vestidos. Nos pés das modelos ganhavam outro sentido, relembrando o mito de Hermes, mensageiro dos deuses gregos. Na cabeça, chapéus escultóricos para arrematar o clima fairy tale. 

    Em alguns momentos Lino distorce a barreira entre os mundos e cria vestidos 100% usáveis no mundo real, ultra femininos, com detalhes ricos na região dos quadris, rosas pretas em brocado de veludo sobre tecido acobreado, um trabalho supremo de artesanato e quase-reciclagem de materiais. A silhueta se alterna entre os cocoons, a letra "A" e a amorfidade completa. Para desafogar, os looks masculinos são pés-no-chão, com calças giga amplas de cintura mega alta (do tipo saint-tropeito) para compor uma atmosfera oriental, relembrando os modelos usados por praticantes de Kenpo, só que com suspensórios. As camisas masculinas também foram muito sóbrias. 

    Viveriam esses homens no mundo real? Seriam eles os caçadores humanos dessas criaturas femininas sobrenaturais? Se a resposta for sim, então outro código é quebrado: Lino estaria reutilizando os conceitos e materiais de sua última coleção (verão 2010). Aliás, estaria usando elementos de tantas coleções quantas forem possíveis, já que seu DNA é um dos mais consistentes e com maior longevidade da moda brasileira. A única coisa que faltou nesta apresentação para o inverno 2010 foi um pouco de emoção (talvez a trilha sonora estivesse amena demais, ou talvez o problema tenha sido a iluminação pasteurizada). Desta vez, a imersão no fantástico mundo de Lino foi apenas parcial.

    Mesmo assim uma coisa é irrefutável: do seu lado do muro, Lino domina geral.

    Cenografia: GB Eventos

    Diretor de desfile: Paulo Borges

    Produtor executivo: Inez Villaventura

    Iluminação: Gian Bortolotti

    Stylist: Lino Villaventura / Regis Vieira

    Make up & hair: Marcos Costa

    Trilha sonora: Felipe Venâncio

     

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