Fabia Bercsek ocupa lugar especial no line-up do São Paulo Fashion Week. Não faz desfilão, não é marca grande, mas tinha ali os editores importantes e interessados não em busca de modelos famosas ou celebridades de primeira fila, mas de uma criadora autoral e corajosa, persistente e perseverante, que sem fazer concessões tangencia os limites da teimosia.
De quando em quando, a rotação da moda encontra a de seu mundo, como se deu aqui neste inverno 2010. Fábia Bercsek junta Joanna D’Arc com outra Jeanne guerreira, Billie Jean Davy, do filme. O resultado é a Jeanne Gang. Fortes, cheias de personalidade, questionadora, inquisidora, marrenta.
São distintos os blocos da coleção, começando com um dos caminhos mais difíceis hoje: combinar o hard e o romântico; ter num mesmo look babados, o violeta e uma silhueta forte. Claro que usar esse tipo de proposta não é para qualquer mulher usar (como os deliciosos e ultradesejáveis bijoux de correntes de Leon Gurfein); mas Fabia Bercsek consegue, e mostra também que não tem medo do sexy explícito que muitos evitaram nesta estação, com o body vazado com bermuda larga.
O momento branco é o mais marcante, com uma atitude rock pesquisada não em livros sobre o punk, mas na vida real, no próprio repertório da estilista, com resultados nunca óbvios. O final, nos tricôs grandões, com destaque para os dois últimos looks, que embrulham e abraçam.
Para as próximas apresentações, talvez valha uma tentativa de limpar um pouco styling, torná-lo mais essencial, dar alguma virada não no conteúdo, mas na maneira de mostrar e, por que não, se fazer compreensível para mais gente _e não apenas para iniciados em seu estilo. De toda forma, vale a atenção para Fábia Bercsek e suas idiossincrasias. Ela tem muito o que dizer ainda para o mercado.
Styling: Vanessa Monteiro
Beleza: Marcos Costa
Trilha: Edu Corelli e Luis Depeche
Cenografia: Gustavo Menegazzo