Erika Ikezili conhece bem seu tabuleiro e tem total controle das peças que estão em jogo. Inspirada mais uma vez no mundo das artes, a estilista se volta para o trabalho do belga Fred Eerdekens e pede licença (total poética) para pegar emprestado o mote do seu inverno 2010. Com leveza de cores (muitos tons pastel, cinzas e apessegados de imensa suavidade), Erika se livra das amarras origâmicas que são seu legado mais forte e desbrava novos horizontes que a conduzem para a concepção de boas calças, belos vestidos, ótimas camisas. A silhueta 1920s ficou um pouco austera para o atual momento da moda, que pede mais sensualidade. Como numa resposta a esse questionamento, a estilista cria fendas abissais que só não vulgarizam a apresentação porque aparecem por cima de outros vestidos. Boa sacada conceito-comercial: minhas roupas podem ser usadas por meninas recatadas, mas também servem para as atacadas. Conforme o desfile chega ao fim, o sangue nipônico ferve, e Erika não resiste: a modelo Luana Teifke anuncia a entrada do bloco origâmico, que abusa das sobreposições de tecidos geométricos, recortes absurdos, babados de crepe, plissados. Neste momento, a sopa de letras que ela tomou no prato de Eerdekens deixa de ser uma estampa gráfica e salta, literalmente, para fora das roupas, virando broches e penduricalhos que tilintam conforme as modelos caminham. Roupa para ver, tocar e ouvir. Coisa de artista. Cenário: Gustavo MenegazzoDiretor de desfile: Claudio SantanaStylist: Thiago FerrazMake up & hair: Robert EstevãoTrilha sonora: Edu Corelli
Erika Ikezili conhece bem seu tabuleiro e tem total controle das peças que estão em jogo. Inspirada mais uma vez no mundo das artes, a estilista se volta para o trabalho do belga Fred Eerdekens e pede licença (total poética) para pegar emprestado o mote do seu inverno 2010: a tensão entre linguagem e arte figurativa.
Com leveza de cores (muitos tons pastel, cinzas e apessegados de imensa suavidade), Erika tenta se livrar dos origamis que são seu legado mais forte e desbrava novos horizontes que a conduzem para a concepção de boas calças, belos vestidos, ótimas camisas. A silhueta 1920s ficou um pouco austera para o atual momento da moda, que pede mais sensualidade. Como numa resposta a esse questionamento, a estilista cria fendas abissais que só não vulgarizam a apresentação porque aparecem por cima de outros vestidos. Boa sacada conceito-comercial: minhas roupas podem ser usadas por meninas recatadas, mas também vinde a mim as atacadas. O trabalho de estamparia é mais interessante quando faz uso da sopa de letras do que das geometrias, que não impressionam nem despertam desejo.
Conforme o desfile chega ao fim, o sangue nipônico ferve, e Erika não cede: a modelo Luana Teifke anuncia a entrada do bloco origâmico, que abusa das sobreposições de tecidos geométricos, recortes absurdos, babados de crepe, plissados, dobraduras. Neste momento, a sopa de letras que ela tomou no prato de Eerdekens deixa de ser uma estampa gráfica e salta, literalmente, para fora das roupas, virando broches e penduricalhos que tilintam conforme as modelos caminham. Roupa para ver, tocar e ouvir. O que agrada mesmo é a leveza disso tudo: Erika parece não fazer o menor esforço para impressionar, parece não estar nem aí para o que vão falar/achar da coleção. Essa mistura de timidez com nonchalance só pode ser uma coisa: coisa de artista.
Cenário: Gustavo Menegazzo
Diretor de desfile: Claudio Santana
Stylist: Thiago Ferraz
Make up & hair: Robert Estevão
Trilha sonora: Edu Corelli
Erika Ikezili conhece bem seu tabuleiro e tem total controle das peças que estão em jogo. Inspirada mais uma vez no mundo das artes, a estilista se volta para o trabalho do belga Fred Eerdekens e pede licença (total poética) para pegar emprestado o mote do seu inverno 2010: a tensão entre linguagem e arte figurativa.
Com leveza de cores (muitos tons pastel, cinzas e apessegados de imensa suavidade), Erika tenta se livrar dos origamis que são seu legado mais forte e desbrava novos horizontes que a conduzem para a concepção de boas calças, belos vestidos, ótimas camisas. A silhueta 1920s ficou um pouco austera para o atual momento da moda, que pede mais sensualidade. Como numa resposta a esse questionamento, a estilista cria fendas abissais que só não vulgarizam a apresentação porque aparecem por cima de outros vestidos. Boa sacada conceito-comercial: minhas roupas podem ser usadas por meninas recatadas, mas também vinde a mim as atacadas. O trabalho de estamparia é mais interessante quando faz uso da sopa de letras do que das geometrias, que não impressionam nem despertam desejo.
Conforme o desfile chega ao fim, o sangue nipônico ferve, e Erika cede: a modelo Luana Teifke anuncia a entrada do bloco origâmico, que abusa das sobreposições de tecidos geométricos, recortes absurdos, babados de crepe, plissados, dobraduras. Neste momento, a sopa de letras que ela tomou no prato de Eerdekens deixa de ser uma estampa gráfica e salta, literalmente, para fora das roupas, virando broches e penduricalhos que tilintam conforme as modelos caminham. Roupa para ver, tocar e ouvir. O que agrada mesmo é a leveza disso tudo: Erika parece não fazer o menor esforço para impressionar, parece não estar nem aí para o que vão falar/achar da coleção. Essa mistura de timidez com nonchalance só pode ser uma coisa: coisa de artista.
Cenário: Gustavo Menegazzo
Diretor de desfile: Claudio Santana
Stylist: Thiago Ferraz
Make up & hair: Robert Estevão
Trilha sonora: Edu Corelli