Ventos de mudança começam a soprar na Carlota Joakina. Com a saída da estilista Marilia Biasi, Camila Bertolote parece estar mais sintonizada com a imagem de sua marca mãe, a Gloria Coelho. Menos sintético e mais natural. Menos futurista e mais romântico.
Deixando aquela pegada esportiva de lado, o inverno 2010 de grife vem pautado pela anatomia das flores. Tema que justifica o trabalho de formas mais soltas, estampas florais gráficas e certa delicadeza que há tempos não se via nas coleções da marca. Delicadeza, aliás, que de óbvia não tem nada.
Como irmã mais nova da mulher Gloria Coelho, a menina Carlota Joakina também não gosta de clichês ou literalidades. Seu gosto por uma moda arquitetônica vem de forma mais leve e diluída. A grife mistura os vestidos leves de formas simples com peças mais estruturadas de corte geométrico, como as saias de couro recortado em alto relevo ou jaquetas decoradas com ilhoses. A marca também aposta em meias altas de tricô e luvinhas para dar mais força ao visual, coloca zíperes aparentes em vestidos nude decorados com babadinhos e arremata os visuais com laços metalizados para quebrar um pouco com o romatnismo liteal.
Simples, fácil, e com boa informação de moda, Camila parece recolocar a Carlota Joakina no eixo. Ao apresentar peças prontas para vida real, a estilista abre o leque de consumidores, extrapolando aquele seleto nicho para o qual se destinou, quase que exclusivamente, nas temporadas anteriores. Com apresentação bem correta, ela só desliza nos últimos vestidos salmão com formas um tanto quanto mal resolvidas – e na presença escrachada do carro-patrocinador na boca de cena, assim mesmo, sem conexão alguma com o restante da coleção.
Direção artística: Gloria Coelho
Direção de criação: Camila Bertolote
Styling: Diego Del Rio
Beleza: Terry Barber
Cabelo: Marcelo Brito
Trilha: Johnny Luxo
Direção de desfile: Augusto Mariotti