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    Animale
    Inverno 2010 RTW
    Todos Ler Review
    Por Augusto Mariotti 20.jan.10

     

    O desfile da Animale estava agendado pra começar às 21h, mas a über Raquel Zimmermann só riscou a passarela às 22h17, depois de duas vaias coletivas por parte da 
    plateia. Quando Raquel deu os primeiros passos, um spike de plástico descolou do vestido e voou na direção dos convidados, anunciando os problemas de acabamento que 
    se tornariam mais visíveis ao longo da coleção.
    Inspirado no futuro e na passagem do tempo, o inverno da grife merece respeito pelo uso de tecnologias super avançadas: estampas fotográficas tridimensionais, cortes 
    lapidados, fendas feitas no fio do laser, lã feltrada, camurça com textura de lã, couro estampado com nanocorantes, beneficiamento resinado. A questão é: o que está 
    em jogo num desfile de moda não é somente o meio, mas também a mensagem. E mais uma vez a mensagem da grife é desanimadora. A Animale fala sobre um futuro triste em 
    que a vulnerabilidade do corpo feminino se vê incapaz de resistir aos ponteiros do relógio. Um futuro que, provavelmente, nunca acontecerá. Nem Isaac Asimov, do alto 
    de seu pessimismo, pensou no amanhã de forma tão sintética. 
    A estamparia, apesar de avançada, polui demais os looks que já são complexos pelo mix de tecidos leves com pesados, silhueta rígida com fluída, movimento com 
    estática. As fotografias das engrenagens só fazem complicar a silhueta. Os epinhos, apesar de serem visualmente interessantes, conferem um atributo não-me-toque que, 
    geralmente, não queremos transmitir com as roupas que vestimos. As texturas também parecem desconfortáveis, tudo parece pinicar. Nos sapatos o estado é de alerta: 
    escultóricos, fizeram as veteranas Ana Beatriz Barros e Jeísa Chiminazzo tremerem na base. Tentem imaginar o que eles podem fazer com as mulheres do mundo real.
    O melhor vem nos vestidos de lã feltrada em cores pastel. Primeiro Isabeli Fontana, depois Ana Claudia Michels (as duas no azul bebê) e mais tarde Daiane Conterato 
    (no rosa-sorvete-de-morango). São imagens belas para ensaios de moda (com spikes) e totalmente possíveis para a vida real (sem spikes). Na contramão, o look que traz 
    um casaco de lã acinzentada relembrando um cobertor Parahyba é tremendamente deslocado. 
    Em alguns casos, a recompensa vale o tempo da espera. Mas só em alguns casos. 
    Cenografia: Fernando Bretas (Onozone Studio)
    Diretor de desfile: Luis Fiod
    Produtor executivo: Zeca Ziembik
    Iluminação: Domingos Quintiliano
    Stylist: Luis Fiod
    Make up & hair: Max Weber

    O desfile da Animale estava agendado pra começar às 21h, mas a über Raquel Zimmermann só riscou a passarela às 22h17, depois de duas vaias coletivas por parte da plateia. Quando Raquel deu os primeiros passos, um spike de plástico descolou do vestido e voou na direção dos convidados, anunciando os problemas de acabamento que se tornariam mais visíveis ao longo da coleção.

    Inspirado no futuro e na passagem do tempo, o inverno da grife merece respeito pelo uso de tecnologias super avançadas: estampas fotográficas tridimensionais, cortes lapidados, fendas feitas no fio do laser, lã feltrada, camurça com textura de lã, couro estampado com nanocorantes, beneficiamento resinado. A questão é: o que está em jogo num desfile de moda não é somente o meio, mas também a mensagem. E mais uma vez a mensagem da grife é negativa. A Animale fala sobre um futuro triste em que a vulnerabilidade do corpo feminino se vê incapaz de resistir aos ponteiros do relógio. Um futuro que, provavelmente, nunca acontecerá. Nem Isaac Asimov, do alto de seu pessimismo, pensou no amanhã de forma tão artificial.

    A estamparia, apesar de avançada, polui demais os looks que já são complexos pelo mix de tecidos leves com pesados, silhueta rígida com fluída, movimento com estática. As fotografias das engrenagens só fazem bagunçar o coreto. Os espinhos, apesar de serem visualmente interessantes, conferem um atributo não-me-toque que, geralmente, não queremos transmitir com as roupas que vestimos. E também são bizarrinhos, parecidos com agulhas descartáveis (ou seriam bicos de pipeta?). As texturas também parecem desconfortáveis, tudo dá a impressão de pinicar. Nos sapatos o estado é de alerta: escultóricos, fizeram as veteranas Ana Beatriz Barros e Jeísa Chiminazzo tremerem na base. Tentem imaginar o que eles podem fazer com vocês, mulheres do mundo real.

    O melhor vem nos vestidos de lã feltrada em cores pastel. Primeiro Isabeli Fontana, depois Ana Claudia Michels (as duas no azul bebê) e mais tarde Daiane Conterato (no rosa-sorvete-de-morango). São imagens belas para ensaios de moda (com spikes) e totalmente possíveis para a vida real (sem spikes). Na contramão, o look que traz um casaco de lã acinzentada relembrando um cobertor Parahyba é tremendamente deslocado. Mas tudo isso pode não fazer o menor sentido quando a coleção aterrissar nas lojas da grife: o que deve chegar às araras é toda uma outra história.

    Em alguns casos, a recompensa vale o tempo da espera. Mas só em alguns casos. 

    Cenografia: Fernando Bretas (Onozone Studio)

    Diretor de desfile: Luis Fiod

    Produtor executivo: Zeca Ziembik

    Iluminação: Domingos Quintiliano

    Stylist: Luis Fiod

    Make up & hair: Max Weber

     

     

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