Quando Maria Grazia Chiuri e Pier Paolo Piccioli assumiram a direção criativa da Valentino em 2008, já era sabido que seu principal desafio seria rejuvenescer a grife. O que ninguém nunca imaginou foi que isso seria feito de maneira tão rápida, ainda mais depois de três coleções que vinham (aos poucos) dando cara nova à marca sem perder de vista a tradição criada pelo fundador da maison.
Como criaturas de um Jardim do Éden do século 21, as mulheres da Valentino agora parecem prontas para uma festa rave glamourosa, apostando em vestidos justos drapeados à la Rodarte, cheios de recortes e inserções de materiais com brilhos e texturas diferentes. Aquela delicadeza sensual das rendas mostradas na coleção anterior agora se restringe aos poucos looks leves em organza, onde as formas se afrouxam e volumes delicados se afastam do corpo.
Numa parada de cores ácidas, pontuadas por detalhes reluzentes, havia uma certa agressividade subliminar. Tanto pelo lado sexual, quase velado com as faixas transparentes vendando os olhos, ou nas formas justas que delineavam o corpo das modelos, com direito até à algumas transparências.
Onde fica a sofisticação de Valentino? Bem, a imagem não é lá o que se entende por uma coleção tipicamente do estilista aposentado. Na verdade o resultado final é quase que completamente oposto a tudo que o fundador da grife construiu ao longo de sua trajetória. O único aspecto que ainda pode ser identificado no meio desse novo rumo é a habilidade de construção e detalhes das roupas. Como nos mini drapeados das calças justas, nas pétalas de flores feitas de tecidos ou então nas incríveis aplicações de plumas coloridas em alguns dos looks.
Uma coleção e um desfile com imagem poderosa e roupas cheias de desejo. Só que agora para uma clientela completamente diferente daquela que há tempos fidelizou a marca Valentino.