O mais recente filme do diretor James Cameron, "Avatar", reverberou na cabeça de Jean Paul Gaultier ao ponto de levar o estilista numa viagem (super pessoal) pelas florestas e praias paradisíacas da América Latina, com direito a pit stop no México. Só que para Gaultier as criaturas não são seres felinos, gigantes e azuis. Tendo a trança nos cabelos como única semelhança, os avatares do estilista parisiense são mulheres über sensuais que usam folhas de palmeiras e bananeiras como bolsas e tecem tiras de couro, jérsei e palha nos vestidos que são super sexy.
Sim, Gaultier mostra uma visão um tanto quanto colonial sobre o lado de baixo do Equador. Mas não há como negar (e não valorizar) a incrível capacidade do estilista em subjulgar qualquer tema ao seu próprio universo. Para falar de androginia ele trabalha a alfaiataria nos looks navy. Gaultier também acintura o visual com estruturas de corset presentes em boa parte dos vestidos e blusas, aumentando ainda mais a dose de sensualidade. Até o jeans ganha versões latinas nos macacões, vestidos e calças boca-de-sino.
Se as roupas são usáveis ou não, pouco importa: after all estamos falando de um desfile de altacostura. A excelência do trabalho manual investida em cada peça do desfile transforma essa coleção em puro sonho fashion. Colocando os requisitos da altacostura em primeiro lugar, Gaultier entra na onda étnica que promete pautar a moda em 2010, imprimindo sobre essa já tendência sua identidade pessoal e inconfundível.