Seria a Lua o destino predileto dos estilistas para fugir da realidade? Depois de Giorgio Armani, Karl Lagerfeld levou seus tailleur de tweed ao espaço sideral. Numa viagem com escala no Space Age dos anos 60, o estilista traz um certo apelo sci-fi glamouroso as formas simples criadas por Coco Chanel.
Sem um único vestidinho preto em cena – nada de androginia para o verão 2010 da altacostura Chanel – Lagerfeld aciona todos os recursos da marca para dar vida e brilho – muito brilho – às roupas de pegada futurista sessentinha desta coleção. Os clássicos tailleurs em tweed agora ganham brilho espacial graças a um tule metalizado utilizado na trama. Com leve silhueta evasê, as saias mega curtas do verão prêt-à-porter dão lugar a bermudas quadradonas, quase antiquadas para os dias de hoje. Combinadas à jaquetas de formas simples, parecem quase sem movimento e se não fosse pela profusão de bordados brilhantes também pareceriam sem vida.
A técnica e expertise empregadas em cada peça desta coleção são inquestionáveis. Os bordados dos mais ricos, os detalhes dos mais preciosos e as ótimas rendas que dão textura às superfícies de tons pastel desta coleção. Interessante mesmo, e bem mais atual, é quando Karl passa a trabalhar com tecidos de pesos diferentes. Quando drapeia o cetim em tons lavados contrapostos aos tecidos mais encorpados repletos de babados ou aplicações brilhantes em forma de renda. Com estrutura focada nos ombros ou golas, o estilista dá fluidez ao restante do look. Curiosamente (ou não) é nesses vestidos, onde as decorações ficam mais pontuais, com aspecto mais natural, que fica evidente porque tais peças são consideradas couture.