A moda sempre será movida por imagens fantasiosas, mas há momentos que pedem por uma atenção maior as roupas de fato. Ao acabamento, ao tecidos, à modelagem e à porpoção capaz de tornar um simples blazer alongado em objeto de desejo instantâneo como fez Marc Jacobs em seu mais recente desfile na noite desta última segunda-feira.
Quando o bege e outras tonalidades neutras, em peças simples, de modelagem quase clássica, saltam aos olhos, ou quando tons pastel se tornam exuberantes, é porque algo de realmente extraordinário está acontecendo.
Assim, sem um minuto de atraso sequer, e com a promessa cumprida de nenhuma celebridade na platéia, Marc Jacobs e seu sócio, Rober Duffy, puxaram o papel marrom que cobria a caixa onde um exército de modelos vestidos todas em tons neutros se agrupavam esperando o comando para saírem em marcha.
E daí veio o primeiro look: uma simples camiseta cinza com bermuda larga, seguido de vestido e blazer acinturado em tonalidades parecidas e mais uma série de looks neutros, de silhueta alongada, num verdadeiro pout-pourri de diversas fases e coleções passadas de Jacobs. Só que agora dotadas de uma simplicidade estonteante. Acabamento, corte e proporções das mais corretas. Volumes extremamente bem calculados, aplicações de peles que vão crescendo ao longo do desfile, porém sem jamais roubar a atenção da imensa realidade práticas das roupas, ao mesmo tempo que conferindo uma certa emoção extra.
O porque de toda essa dose de realidade? "Por que a beleza não pode ser o suficiente?" rebate o estilista momentos após seu desfile. Sim, infinitamente menos criativa que coleções anteriores. Mas há de se levar em conta a extrema sintonia com os dias de hoje e com o período incerto que a moda está passando. Como um revolução silenciosa, Marc Jacobs aponta para rumos de uma luxo simplificado, quase que velado, presente entre pontuações de exuberância, por reais valores de design.