Primeiro as luzes se apagam, a música - um zunido eletrônico constante - é interrompida e uma batida de ritmo apressado entra em sincrionia com flashes de luz imprimindo tiras luminosas na passarela de concreto. Assim, como um show de luzes e composição musical de Alva Noto começa o desfile da Calvin Klein que utiliza os fundamentos de som e frequência como ponto de partida para o inverno 2010.
Se o tema parece complexo demais, as roupas são das mais simples possíveis. Pelo menos em sua aparência. Com as supermodelos Stella Tennat, Kirsty Hume e Kristen McMenamy no casting, Costa traz de volta o minimalismo dos anos 90, numa coleção em perfeita sintonia com os rumos da moda. Afinal, a exploração têxtil e o trabalho com formas e modelagens - pontos essenciais do inverno 2010 aqui em Nova York - são características das mais essenciais no trabalho do estilista brasileiro.
O desfile começa com uma série de vestidos e casacos de formas simples, construções precisa de linhas puras. Suas mangas amplas, ombros arredondados levemente deslocados para baixo, migram então para blazeres em lã extremamente grossa, com aspecto quase industrial, tão importante para a ausência de excessos da temporada.
A imagem aqui não é da mais frescas, nem das mais inventivas no histórico de Costa na Calvin Klein. Os blazeres de mangas estruturadas muitas vezes parecem rígidos demais e trazem formas já muito exploradas por outros estilistas como Raf Simons (em seu inverno 2009 principalmente).
Muito mais inovadoras e interessante são as peças de alfaiataria fragmentada, em tecidos texturizados que vem logo em seguida. Bons casacos de lã com cortes angulares, blazeres de proporções ampliadas, em contrastas aos looks mais justas com calça de cintura alta e blusas texturizadas. Destaque também para os vestidos com volumes arredondados e desestruturados. Com tecidos lustrosos, traziam uma aparência quase química a medida que refletiam as luzes com o caminhar.